Sírios buscam a atenção de observadores árabes

Aproveitando o dia de descanso semanal, oposição põe milhares nas ruas de várias cidades e denuncia atrocidades de Assad; mais 24 morrem

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2011 | 03h02

Centenas de milhares de sírios, aproveitando a presença da equipe de 60 observadores de direitos humanos da Liga Árabe, voltaram a desafiar ontem o regime de Bashar Assad em protestos que grupos opositores qualificaram de "os maiores dos últimos meses". De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, mais de 250 mil pessoas tomaram as ruas só na cidade de Idlib, perto da fronteira com a Turquia.

Ainda segundo grupos opositores, mais 24 pessoas morreram ontem em meio à repressão dos protestos por parte das forças de Damasco. Soldados e policiais, disseram os opositores, dispersaram as manifestações contra Assad com violência.

Os Comitês de Coordenação Local informaram sobre a morte de manifestantes em Deraa e Hama. A jornada de protestos, no dia da semana consagrado à oração pelos muçulmanos, teve grande adesão em todo o país - principalmente em razão do esforço dos grupos de oposição para chamar a atenção da missão de observadores da Liga Árabe.

Em Idlib, um dos principais redutos dos militantes anti-Assad e cenário de 74 manifestações desde o início dos protestos, em março, a oposição relatou a morte de 6 pessoas.

A repressão também foi pesada em Deraa e Hama, onde morreram 12 ativistas, 6 em cada província, em disparos feitos por agentes das forças de segurança. Os arredores de Damasco também foram afetados pela ofensiva da polícia e do Exército, que mataram um manifestante em Daraya e outro em Madamieh. Mais 20 ficaram feridos em Duma.

A essas vítimas se somam quatro mortos, dois deles soldados desertores surpreendidos em uma emboscada das forças leais a Assad na província central de Homs. Além disso, os Comitês de Coordenação Local informaram que atrás de uma mesquita de Homs foram encontrados quatro cadáveres, que até ontem à noite ainda não tinham sido identificados.

Enquanto a violência segue na Síria, os observadores enviados pela Liga Árabe continuam com sua missão de comprovar o cumprimento da iniciativa árabe que estipula o fim da violência, a libertação dos detidos nos protestos e o recuo militar, entre outros pontos. Assad concordou com a presença dos observadores - que devem perfazer 150 nos próximos dias e verificar a situação dos direitos humanos no país por um mês - numa tentativa de evitar o isolamento internacional.

Desde o início dos protestos, mais de 5 mil pessoas morreram pela repressão do regime sírio, que acusa grupos terroristas armados da responsabilidade pelas revoltas populares. / REUTERS

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