Sírios cruzam 7 países até a França

Sírios cruzam 7 países até a França

Síria, Jordânia, Egito, Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos. Esse foi o percurso feito por Kassem Shredah, de 16 anos, pela irmã, Ahlam, e seus dois filhos até chegar à Melilla, enclave espanhol no Norte da África. Em fuga da guerra civil síria, o jovem tenta agora atravessar o Mediterrâneo e reencontrar parte da família, refugiada na França.

MELILLA, ESPANHA, O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2013 | 02h11

Kassem ilustra a babel de miseráveis em que Melilla se transformou. Atormentada pela crise econômica que assola a Andaluzia, a cidade de 80 mil habitantes não dá conta de empregar toda a população, mas ainda tem de enfrentar a demanda de imigrantes que usam o enclave como trampolim para a Europa. Na sexta-feira, mais de 700 superlotavam o Centro de Passagem Temporária de Imigrantes (Ceti), que recebe pessoas de toda a África e do Oriente Médio.

Kassem chegou a Melilla há 20 dias, mas não precisou saltar sobre as grades instaladas pelo governo espanhol na fronteira com Nador. Munido de um passaporte argelino falso, comprado por € 1 mil, ele cruzou o posto de fronteira sem ter de se refugiar na floresta marroquina nem um único dia. "Estamos fugindo da guerra", disse ele, pedindo auxílio à reportagem para localizar seus tios, refugiados em território francês. "Grande parte da minha família está na Europa."

Imigrantes árabes são minoria, mas não exceção em Melilla. Na quinta-feira, o Estado encontrou dezenas de argelinos no Ceti à espera de transferência para o continente - ainda que a chance maior seja de deportação. Um deles era Hossin Aourai, de 24 anos. Em espanhol fluente, que aprendeu em uma passagem anterior, de cinco anos por Bilbao, o jovem pretende retornar à Europa para colocar em prática as habilidades que aprendeu em cursos de formação realizados na primeira viagem.

Ele quer começar uma vida nova, deixando para trás os meses de tentativas de cruzar a fronteira e as cenas de imigrantes mortos e feridos que tem testemunhado desde então. "Há quem perca uma perna, um braço, o rosto, a vida. É horrível", afirmou.

Situado a 50 metros de onde passa a linha de grades que separa a Espanha do Marrocos, o Ceti é diferente de outros centros de detenção construídos em países como Itália e Grécia - verdadeiras prisões de imigrantes. Enquanto a reportagem esteve no local, apenas dois novos imigrantes chegaram, conduzidos pela Guarda Civil. O movimento abaixo da média ocorreu porque a fronteira está calma, disseram os mais experientes, que comemoraram a chegada de novos ilegais. "Chegaram mais dois bravos." / A.N.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.