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Sírios fazem maior protesto já realizado em Alepo

Forças de segurança lançaram gás lacrimogêneo e fizeram disparos com munição de verdade para dispersar pessoas

AE, Agência Estado

18 Maio 2012 | 13h24

BEIRUTE, LÍBANO - Forças de segurança sírias lançaram gás lacrimogêneo e fizeram disparos com munição de verdade para dispersar as milhares de pessoas que protestavam nesta sexta-feira em Alepo. Segundo ativistas, a manifestação foi a maior já realizada na cidade, que tem se mantido majoritariamente leal ao presidente Bashar Assad durante os 15 meses de levante.

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O protesto mostra o crescente sentimento contra o regime na maior cidade da Síria, particularmente após a invasão de um dormitório universitário por forças de segurança, que deixaram quatro estudantes mortos e obrigou o fechamento da escola no início deste mês.

Na quinta-feira, cerca de 15 mil estudantes protestaram do lado de fora a Universidade de Alepo na presença de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU), antes da intervenção das forças de segurança.

Nesta sexta-feira um número ainda maior de pessoas saíram às ruas. Segundo o ativista Mohammad Saeed, morador de Alepo, esta é a maior manifestação na cidade desde o início do levante. "O número de manifestantes aumenta a cada diz e hoje vimos os maiores protestos (já realizados)", disse Saeed, lembrando que várias pessoas ficaram feridas quando a polícia fez disparos e usou gás lacrimogêneo para dispersar as manifestações.

O presidente do Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo sediado em Londres, disse que as manifestações mostraram que "um levante verdadeiros está acontecendo em Alepo nesses dias". Milhares de pessoas em todo o país também realizaram manifestações contra o governo em solidariedade aos manifestantes de Alepo. Sexta-feira é o principal dia de protestos em todo o país e as manifestações desta semana receberam o nome de "Os heróis da Universidade de Alepo" em solidariedade aos estudantes.

A violência ocorre no momento em que o chefe do grupo de observadores da ONU alerta para o fato de que forças desarmadas não podem, sozinhas, interromper o derramamento de sangue sem conversações reais entre os dois lados.

O major-general norueguês Robert Mood, que lidera o grupo de 200 monitores, declarou nesta sexta-feira que nenhum número de observadores pode alcançar "um fim permanente da violência se o compromisso de dar uma chance ao diálogo não for verdadeiro da parte de todos os atores internos e externos". A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa na capital síria, Damasco. Ahmad Fawzi, porta-voz do enviado especial Kofi Annan, disse que ele deve visitar a Síria em breve, mas não revelou em que data.

As informações são da Associated Press.

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