Efe/Stringer
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Sírios pedem remoção de chefe da missão da Liga Árabe

Líder da delegação é general sudanês envolvido em abusos no país africano nos anos 1990

Agência Estado

29 de dezembro de 2011 | 18h48

BEIRUTE - A missão de monitoramento da Liga Árabe enviada à Síria é alvo de críticas de opositores e de outros governos por causa da escolha do chefe do grupo, o militar sudanês Mohamed Ahmed Mustafa al-Dabi. A Anistia Internacional disse que al-Dabi comandou a inteligência militar do Sudão na década de 1990, quando ele teria sido responsável por detenções arbitrárias, desaparecimentos e torturas.

 

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Nesta quinta-feira, 29, em um incidente perto de uma mesquita em um subúrbio de Damasco, forças sírias dispararam contra manifestantes e mataram pelo menos 4 pessoas. O incidente ocorreu perto de observadores da Liga Árabe.

 

Segundo ativistas sírios, forças de seguranças abriram fogo contra dezenas de milhares de manifestantes que estavam do lado de fora de uma mesquita num subúrbio de Damasco, perto de um prédio municipal que era visitado por membros da Liga Árabe, em missão de monitoramento. Segundo ativistas, pelo menos quatro pessoas foram mortas. Ao redor da Síria, 21 pessoas teriam sido mortas nesta quinta-feira.

 

Rami Abdul-Rahman, líder do Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres, disse que cerca de 20 mil pessoas protestaram do lado de fora da Grande Mesquita, no subúrbio de Douma, quando as tropas abriram fogo. Alguns monitores da Liga Árabe visitavam um prédio municipal perto da mesquita, disse ele.

 

O opositor sírio Burhan Ghalioun, que nesta quinta-feira teve uma reunião na Liga Árabe com o secretário-geral da entidade, Nabil El-Araby, disse que o objetivo da missão observadora deveria ser não apenas monitorar, mas garantir que o governo sírio "pare a matança". Ele disse que o governo sírio mantém detidas, no momento, 100 mil pessoas. "Várias dessas pessoas estão detidas em quartéis e também a bordo de navios de guerra que estão ao largo da costa síria", disse Ghalioun. "Existe um risco verdadeiro de que essas pessoas sejam mortas pelo regime, que poderá matá-las para dizer depois que não existem prisioneiros", afirmou.

 

De acordo com o Observatório, 21 pessoas foram atingidas por disparos das forças de segurança e mortas nesta quinta-feira, a maioria em subúrbios de Damasco. Já os Comitês de Coordenação Locais, outro grupo ativista, disseram que 28 pessoas foram mortas. A diferença dos dados divulgados não pôde ser verificada porque a Síria proíbe jornalistas estrangeiros e restringe a atuação da mídia local.

 

Líderes opositores pediram que a Liga Árabe remova o líder sudanês da missão observadora, pois ele foi a principal autoridade do "regime opressivo" do presidente Omar al-Bashir, que é alvo de um mandado de prisão internacional por genocídio em Darfur. O chefe da missão, tenente-general Mohamed Ahmed Mustafa al-Dabi, é leal a al-Bashir e já serviu como chefe da inteligência militar sudanesa.

 

Segundo a Anistia Internacional, sob o comando de al-Dabi, a inteligência militar sudanesa, no início dos anos 1990, "foi responsável por prisões e detenções arbitrárias, desaparecimentos, tortura e outros maus-tratos de várias pessoas no Sudão".

 

Haytham Manna, importante dissidente que mora em Paris, pediu à Liga Árabe que substitua al-Dabi ou reduza sua autoridade porque "nós conhecemos sua história e sua experiência superficial na área".

 

Omar Idilbi, dos Comitês de Coordenação Locais, descreveu al-Dabi como um graduado oficial de um regime opressivo que é conhecido por "reprimir a oposição" e disse temer por sua neutralidade.

 

"O que esperar do chefe de uma missão de monitoramento que é acusado de genocídio em seu próprio país", questionou Ausama Monajed, membro do Conselho Nacional Sírio (CNS), principal grupo opositor do país. As informações são da Associated Press.

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