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Sírios pró-Assad atacam embaixadas dos EUA e da França em Damasco

Ação ocorre três dias após os embaixadores dos dois países visitarem a cidade de Hama, palco dos principais protestos contra o regime; Washington acusa o governo local de permitir ataques e Hillary Clinton diz que presidente sírio ''não é indispensável''

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / NOVA YORK

Simpatizantes do presidente sírio, Bashar Assad, invadiram ontem a embaixada americana e atacaram a representação francesa em Damasco. Em resposta, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, endureceu o tom contra o líder sírio, ao afirmar que ele "não é indispensável", apesar de não pedir a saída dele do cargo.

Na ação de ontem, manifestantes pró-Assad forçaram a segurança, composta por marines no caso dos EUA, a defender as instalações. Não há informações sobre mortos ou feridos. De acordo com o Departamento de Estado, "muros foram pichados, janelas quebradas, frutas e vegetais lançados contra o prédio, alguns manifestantes chegaram ao telhado e câmeras de segurança foram danificadas".

Os manifestantes estariam irritados com a visita dos embaixadores dos EUA e da França à cidade de Hama na sexta-feira para acompanhar os protestos contra o líder sírio. A cidade - conhecida por ter sido alvo de um massacre lançado por Hafez Assad, pai de Bashar, nos anos 80 - transformou-se no centro dos protestos da oposição e alvo de dura repressão das forças de Damasco.

Os EUA não acusam formalmente os membros regime de organizar os ataques de ontem contra sua embaixada e a da França, mas os responsabilizam por não ter garantido a segurança.

"Condenamos duramente o governo sírio por se recusar a proteger nossa embaixada em Damasco e exigimos compensação pelos danos provocados", disse comunicado do Departamento de Estado.

Testemunhas dizem que quatro ônibus com simpatizantes de Assad estacionaram nos arredores da área da embaixada dos EUA. Além disso, segundo o Departamento de Estado, "uma rede de TV síria vinculada ao regime encorajou os manifestantes" a atacar os alvos diplomáticos. No dia anterior, também foram lançados ataques contra a residência oficial do embaixador Robert Ford. Em um Estado policial como a Síria seria difícil uma manifestação contra uma missão estrangeira ocorrer sem que o governo interviesse.

"O objetivo do governo sírio é desviar a atenção", disse Hillary em entrevista em Washington. Até agora, o governo americano não pediu a remoção de Assad do poder, como fez com Hosni Mubarak, no Egito, e ainda faz com Muamar Kadafi, na Líbia. Segundo a secretária de Estado, o contexto varia de acordo com o país.

Ford e o embaixador francês em Damasco, Eric Chevallier, realizaram uma missão de observação a Hama na sexta-feira e sábado, quando protestos contra Assad teriam reunido dezenas de milhares de pessoas. Para o regime sírio, a viagem foi uma provocação que buscou criar instabilidade dentro da Síria.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Síria, os dois diplomatas viajaram para Hama sem autorização e foram convocados para prestar esclarecimentos por ter violado o artigo 41 das Convenção de Viena "ao interferir em assuntos internos" do país. Os EUA e a França argumentam que não há necessidade de permissão das autoridades locais. O Departamento de Estado disse que diplomatas sírios com base nos EUA podem viajar livremente pelo território americano. Além disso, o objetivo foi apenas observar os protestos, não influenciá-los.

Até agora, mais de 1.400 pessoas foram mortas e outras 12 mil presas na repressão do regime à oposição. Os protestos, que começaram em cidades menores, agora atingem Homs e Hama, que são a terceira e quarta maiores metrópoles da Síria. Damasco e Alepo, que são as duas mais importantes, ainda estão relativamente estáveis, sem grandes mobilizações contra o regime.

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