Sírios prometem se casar com vítimas de estupro

Mulheres violentadas não podem se casar e correm o risco de serem mortas pela própria família

, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2011 | 00h00

KHIRBET AL JOUS - Refugiados sírios adotaram uma maneira insólita de contestar a violência que tomou conta do país nos últimos meses. Eles prometeram se casar com mulheres violentadas supostamente por forças pró-governo durante os conflitos. Nos campos de refugiados sírios na Turquia, são narradas histórias de horror, como a de quatro irmãs da cidade de Sumeriya, que teriam sido estupradas por milicianos Shabiha, partidários do governo. "Essa história deixou-nos loucos. Decidimos nos casar com elas", disse o padeiro Ibrahim Kayyis, de 32 anos, de Jisr Al-Shugur.

 

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Na Síria, mulheres violentadas não podem se casar e correm o risco de serem mortas pela própria família em nome da "honra". "Não queremos mudar apenas o regime, mas acabar com esse tipo de coisa. Nos casaremos com elas perante todos", disse Kayyis. As quatro irmãs estariam numnum hospital na Turquia, segundo ele.

A ideia do casamento partiu do farmacêutico Mohammed Mourey. "São vítimas da revolução e nós as protegeremos", disse. Segundo ele, 15 homens se apresentaram, mas apenas 4 mantêm o compromisso. / THE WASHINGTON POST

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