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Sírios protestam sem repressão de forças de segurança

Damasco tenta dar sinais de que está respeitando proposta de cessar-fogo de Kofi Annan

Lourival Sant'Anna, especial para o estadão.com.br,

13 de abril de 2012 | 15h16

DAMASCO - Pela primeira vez desde que começou o levante na Síria, há 13 meses, manifestantes puderam protestar nesta sexta-feira, 13, em várias partes do país sem que as forças de segurança abrissem fogo contra a multidão.

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O governo sírio está tentando cumprir o plano de paz do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, que inclui cessar-fogo e a não repressão violenta a manifestações pacíficas. Mesmo assim, ao menos 5 pessoas foram mortas ontem, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, baseado em Londres.

Boa parte das manifestações foi dispersa com munição real e bombas de gás lacrimogêneo, mas nada comparável com a repressão maciça que se verificava até a manhã de quinta-feira, quando o cessar-fogo entrou em vigor.

O Exército Livre Sírio, formado por militares rebeldes, também está observando o cessar-fogo. Vídeos veiculados na internet e pelas emissoras de TV internacionais mostram milhares de pessoas protestando contra o governo em diversas partes do país. Em alguns casos, as manifestações têm um tom festivo.

O repórter do Estado assistiu aos preparativos de uma dessas manifestações, na favela de Mezze al-Bassatin, a apenas 3 km da região central de Damasco. Os jovens manifestantes se coordenavam entre si pelo celular, trocando informações sobre em quais mesquitas da favela havia maior presença de soldados do Exército e de agentes à paisana da temida Mukhabarat, a polícia secreta.

Quando finalmente definiram o local, cerca de 30 jovens se reuniram, gritando "Hurria" (liberdade) e "Thawra" (revolução). Mas a manifestação durou apenas alguns segundos. Rapidamente chegaram soldados e homens à paisana, armados de fuzis. Ao menos um rapaz foi preso. Ao longe, antes da manifestação, o repórter ouviu disparos.

Havia mais soldados que manifestantes: dois ônibus verdes de transporte de tropas do Exército estavam parados na entrada da favela, além de jipes Toyota Land Cruiser beges. Homens à paisana também circulavam em motos e carros, e eram facilmente reconhecidos pelos moradores como agentes de segurança.

O repórter passou por várias mesquitas, e em todas havia carros com agentes à paisana estacionados na porta. Um morador contou que na mesquita de Al-Mezze al-Kbir, agentes entraram durante a oração, xingaram os fieis e quebraram vidros das janelas.

O Conselho Nacional Sírio, a oposição no exílio, havia convocado manifestações nesta sexta-feira, dia semanal de descanso, para testar a disposição do governo de cumprir o plano de seis pontos. Um dos pontos ainda não cumpridos é a retirada das tropas e do armamento pesado ao redor das cidades.

O repórter do Estado esteve mais cedo em Douma, a 26 km de Damasco, e passou por sete barreiras militares, que incluíam dois tanques e cinco ônibus de transporte de tropas. 

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