Sírios vãos às urnas em eleição parlamentar

Eleitores sírios vão às urnas nesta segunda-feira para eleger um novo Parlamento. A medida é anunciada pelo governo como uma importante reforma política, mas a oposição considera o pleito um golpe que não ajuda muito a reduzir o poder do partido governista ou resolver as questões levantadas pelo levante da oposição, que já dura 14 meses e mergulhou o país na violência.

AE, Agência Estado

07 Maio 2012 | 11h53

Analistas e autoridades disseram que a escolha dos 250 membros da Assembleia do Povo, descrita pelos sírios como uma casa que aprova todos os projetos do presidente se resistência, não deve mudar a trajetória do impasse entre governo e oposição, que levou o país a uma quase guerra civil.

A votação desta segunda-feira ocorre um dia antes de uma declaração do enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe, Kofi Annan, sobre a Missão de Supervisão na Síria, um grupo de observadores desarmados da organização que monitora um cessar-fogo há três semanas, embora a interrupção da violência venha sendo violada quase diariamente por ambos os lados do conflito.

Autoridades do governo sírio disseram que a eleição, a primeira sob a nova constituição colocada em vigor dois meses atrás pelo presidente Bashar Assad e considerada por ele sua maior concessão política, marca o início da política multipartidária na Síria, um país governado pela família Assad desde 1970 e pelo secular e árabe nacionalista partido Baath desde 1963.

"Os sírios esperam que as eleições tracem o futuro da Síria", disse a agência de notícias estatal. "As ruas, imprensa, sites e mídias sociais sírias refletem a agitação da propaganda eleitoral", disse a emissora estatal ao mostrar imagens de pessoas nas sessões eleitorais.

Seis novos partidos políticos e mais de 7 mil candidatos participam do pleito, mas críticos dizem que a maioria dos candidatos fora do partido Baath - durante décadas o único que tinha permissão para participar da vida política - são leais ao regime ou desconhecidos ou não qualificados, o que abre o caminho para uma vitória fácil do Baath. A oposição convocou uma greve geral nesta segunda-feira em repúdio às eleições, descritas por muitos ativistas como absurda, já que vários assassinatos continuam a ocorrer em todo o país. As informações são da Dow Jones.

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