Sistema de alerta tenta evitar vítimas na fronteira

Sirenes antecipam ataques e escudo antimísseis contém foguetes palestinos

ROBERTO SIMON, ENVIADO ESPECIAL, ASHKELON, ASHDOD, ISRAEL, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2012 | 02h03

Um eficiente sistema que integra militares, policiais, funcionários municipais e voluntários tem reduzido as vítimas e prejuízos causados pelos foguetes disparados da Faixa de Gaza - mais de 540, desde quarta-feira. O 'Estado' acompanhou ontem o trabalho de equipes que cuidam da reação aos ataques contra o sul de Israel, desde os alarmes avisando a chegada de projéteis até creches que passaram a funcionar em bunkers.

Da hora em que as sirenes ecoam, os moradores da região têm de 15 a 45 segundos para entrar em um abrigo protegido. Em seguida, costuma-se escutar um estrondo forte, sinal de que o foguete atingiu alguma coisa ou foi interceptado pelo sistema antimíssil, o Domo de Ferro (mais informações nesta página). Nas principais cidades do sul de Israel, essa cena se repete de quatro a seis vezes ao dia, desde quarta-feira. Ontem um foguete Grad aterrissou arrancando a grama do jardim de um conjunto de prédios na cidade de Ashkelon, mas não explodiu. Minutos depois, a polícia já havia isolado a área, enquanto militares do esquadrão antibomba tentavam evitar uma explosão tardia.

"Estava no abrigo e, pelo barulho, percebi que o foguete tinha caído aqui perto", disse Uri Nisbaum, de 57 anos, que mora na área. "O problema não é o susto, mas tentar o tempo todo levar uma vida normal no meio dessas sirenes."

Segundo o porta-voz da polícia, Micky Rosenfeld, cada projétil é capaz de carregar cinco quilos de explosivos. Era essa a quantia média que levavam os homens-bomba de grupos radicais na Segunda Intifada, afirma Rosenfeld. "O raio de destruição pode chegar a mais de 50 metros."

Perto dali, um foguete havia perfurado o teto de uma escola secundária horas antes. Como as aulas estão suspensas na região, ninguém estava no local.

As crianças que estão sem aula passam o dia em creches improvisadas em bunkers. O Estado visitou uma no subterrâneo de um hotel, frequentada pelos filhos de funcionários de um hospital da região.

"Não gosto muito daqui, mas estou me acostumando", reclamava Yoram Guzinski, de 7 anos, enquanto batia bola na parede.

Resposta. A prefeitura de Ashdod, a quinta maior cidade de Israel, criou um centro de monitoramento para evitar os danos e acelerar a reação aos foguetes que diariamente caem na região. O local fica em um abrigo subterrâneo, onde trabalham juntos soldados, policiais, funcionários da prefeitura e voluntários.

Segundo o coordenador do local, David Dvash, as linhas do tipo 0800 são um dos principais elementos tanto para conscientizar a população quanto para determinar onde exatamente caíram os foguetes.

O serviço é prestado em seis línguas - hebraico, árabe, inglês, russo, francês e espanhol - por voluntários. Páginas no Facebook nos cinco idiomas também avisam a população.

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