Sistema de defesa antimíssel dos EUA provoca atritos na Otan

Um plano dos EUA para instalar um sistema de defesa antimísseis no Leste Europeu provocou atritos entre os países da Otan na segunda-feira. O primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek, defendeu a participação do seu país no plano, rejeitando as críticas do chanceler de Luxemburgo, Jean Asselborn, para quem o projeto ameaça provocar novas tensões com a Rússia. "Quanto aos 18 Estados membros da União Européia que abrigam bases militares dos EUA, não cabe a eles comentar sobre a existência de tal presença na República Checa", disse Topolanek a jornalistas na sede da Otan. Os EUA querem instalar um sistema de radares em território checo e também uma bateria de mísseis na Polônia, como parte do escudo que seria capaz de derrubar mísseis disparados por governos que Washington trata como "párias", especialmente Irã e Coréia do Norte. Os países da Otan aceitaram numa cúpula em novembro manter discussões de baixo escalão sobre a conveniência de a aliança participar do escudo, mas não há decisões previstas para breve. Muitos países europeus estão preocupados com os enormes custos envolvidos, enquanto outros temem prejuízos nas relações euro-russas e põem em dúvida a real ameaça dos mísseis de longo alcance. "Para mim, é incompreensível que depois do final do século 20 e da queda do Muro de Berlim alguém comece uma escalada (armamentista) outra vez", disse o luxemburguês Asselborn, referindo-se aos temores de que Moscou reaja apontando mais mísseis contra a Europa. "Não teremos estabilidade na Europa se encurralarmos a Rússia. Devemos ajudar Polônia e República Checa a se concentrarem em torno de uma posição européia", afirmou o ministro, antes de os chanceleres da UE discutirem rapidamente o assunto em Bruxelas.

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