Sistema de educação é o melhor do planeta

Finlândia está, há anos, na primeira colocação da classificação da OCDE

Renata Cafardo, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

Chega a ser irônico que um sistema educacional aclamado como o melhor do mundo tenha presenciado, em menos de um ano, duas chacinas promovidas por estudantes. A Finlândia tornou-se na última década a maior referência para educadores, depois de sucessivos primeiros lugares na avaliação atual mais importante em educação, o Pisa, feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).Estudantes finlandeses deixaram para trás coreanos, chineses e colegas de outras nações européias em testes de matemática, ciência e leitura nas três edições do exame. Os últimos resultados foram divulgados em dezembro de 2007, menos de um mês depois do massacre na escola perto de Helsinque. Especialistas acreditam que os incidentes em nada estão relacionados ao sistema educacional. Eles refletem uma sociedade com tendência depressiva, principalmente por causa dos invernos longos e rigorosos. O episódio de ontem ocorreu numa escola técnica, opção que tem aumentado no país e é cursada por 38% dos jovens hoje, segundo informou ao Estado a chefe de relações internacionais do National Board of Education na Finlândia, Riitta Lampola. O restante migra para universidades, gratuitas, assim como todos os níveis de ensino no país. Há cerca de 600 mil estudantes na educação básica finlandesa, menos de 2% do que existe no Brasil. É obrigatório, por lei, estudar entre os 7 e os 19 anos. Desde 1920, não há analfabetos na Finlândia. O país investe 6,1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em ensino; aqui não chega a 4%. As salas de aula das 3.500 escolas são ambientes agradáveis, com instrumentos musicais e móveis sofisticados, e autônomas - os professores podem decidir até a grade escolar das crianças. Segundo os resultados do Pisa, mais de 80% dos alunos da Finlândia estão nos níveis mais altos de aprendizagem nas três áreas avaliadas. Na parte de leitura, quase todos os meninos e meninas de 15 anos - idade em que é feito o exame - entendem ambigüidades, formulam hipóteses, avaliam criticamente textos elaborados. Habilidades que só 25% dos brasileiros possuem. Mesmo liderando o ranking mundial de educação, a Finlândia não estimula a competição. Não compara ou classifica escolas porque o governo acredita que elas são muito diferentes para que se possa dizer qual é melhor e qual é pior.

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