Sistema dos caças sabe a diferença entre arma e cigarro

Cenário: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h06

É bem pouco provável que os sistemas de bordo dos caças supersônicos caças F-16 da Turquia tenham induzido a erro os pilotos dos jatos. E ainda que os contrabandistas curdos tenham aparecido nas telas de cristal em "atitude hostil", como disse inicialmente o porta-voz Huseyin Celik, as aeronaves americanas - construídas sob licença na Turquia há cerca de 30 anos - dispõem de recursos tecnológicos capazes de estabelecer a diferença entre fuzis e pacotes de cigarro.

Foi um erro grave. Contrabandistas de produtos leves são personagens comuns na divisa entre o Iraque e a Turquia. Agem como os muambeiros "formiguinhas", paraguaios, brasileiros e argentinos da região de Foz do Iguaçu. É caso de polícia.

Os caças cumpriam missão rotineira de patrulha armada, alertas à movimentação dos rebeldes separatistas do PKK.

A coluna de garotos, quase todos na faixa entre 17 e 20 anos, cruzava a fronteira irregularmente na altura da árida província do norte do Iraque. São grandes extensões áridas. Nessa época do ano, a temperatura local raramente passa dos 15 graus.

Os sensores remotos de calor e densidade dos F-16 detectaram o movimento das pessoas a longa distância. Cada aeronave leva um canhão com 511 projéteis de 20 milímetros dirigido eletronicamente. Choveu fogo.

O equívoco começou na escolha do equipamento. Grandes caças como o F-16 não são, necessariamente, as plataformas adequadas ao controle de fronteiras. Aeronaves menores, como o turboélice Super Tucano, da Embraer, se prestam melhor. Helicópteros também. São mais lentos, voam mais baixo e podem interditar ações ilícitas com precisão.

Os supersônicos de alto desempenho, como o F-16, atuam melhor em grande altitude e alta velocidade. Podem, claro, dar combate a alvos terrestres e também antipessoal. Todavia, a possibilidade de erro não é pequena.

Às vezes, como ontem em Uludure, a falha de avaliação deixa 35 mortos.

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