Sistema educacional afegão está em risco, dizem ONGs

O progresso feito para garantir que meninas frequentem a escola no Afeganistão está em risco, no momento em que países estrangeiros se preparam para retirar suas tropas dessa nação, advertiu hoje uma coalizão composta por 16 entidades de ajuda. O número de garotas na escola subiu de cinco mil, em 2001, quando o Taleban foi deposto, para 2,4 milhões atualmente, afirma um estudo dos grupos, entre os quais a prestigiosa organização não-governamental (ONG) britânica Oxfam. Apesar disso, muitas garotas não vão à escola frequentemente e são forçadas a deixar as aulas antes do tempo ideal.

AE, Agência Estado

24 de fevereiro de 2011 | 15h27

O estudo nota que muitos doadores enfocam cada vez mais os projetos para conter a insurgência, em vez de destinar verbas para a educação. Em 2014, as tropas e a polícia afegãs devem retomar o controle da segurança do país, com a saída das tropas internacionais. As entidades também temem que a ajuda ao país caia bastante após 2014.

"O sistema educacional está enfrentando seu maior desafio desde 2001", afirmou Neeti Bhargava, gerente de programas para o Afeganistão da Oxfam. "Nós estamos vendo um recuo em recentes ganhos feitos em levar garotas afegãs jovens e motivadas à escola. Isso é uma perda horrorosa de talento e potencial."

Abdul Waheed Hamidy, da ONG afegã Coordenação para a Assistência Humanitária, disse ser crucial que os governos doadores mantenham seu apoio ao desenvolvimento, "especialmente educação", após a saída das tropas estrangeiras.

O estudo foi realizado no ano passado, com entrevistas de mais de 1.600 garotas, seus pais e professores em 17 das 34 províncias afegãs. A análise concluiu que os principais obstáculos à educação para as garotas afegãs são a pobreza, casamentos forçados e problemas de segurança. O Taleban frequentemente ataca escolas, ainda que esses atentados tenham diminuído nos últimos meses.

O estudo conclui ainda que muitas das meninas na escola recebem uma "educação ruim" por causa de problemas como a falta de professoras e de equipamentos básicos. Apenas 30% dos professores do país são mulheres e a maioria delas trabalha em áreas urbanas, indica o relatório. Isso é particularmente problemático em áreas rurais conservadoras, onde homens raramente ensinam garotas. As informações são da Dow Jones.

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