Sistema não faz a leitura da explosão de uma ogiva

A caixa-preta não tem um pequeno gênio aprisionado que possa ter compreendido e registrado a explosão externa que causou a queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines, no leste da Ucrânia. O equipamento acumula dados recolhidos em centenas de pontos, em uma espécie de disco rígido. Nele, os peritos encontraram os indicadores de que houve perfuração na fuselagem, provocando a descompressão súbita. Para as 298 pessoas a bordo, a morte foi quase instantânea.

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2014 | 02h01

É a informação mais importante no momento. Indica com certeza que um míssil antiaéreo, provavelmente um Buk da série 9k37, fabricado na Rússia, interceptou o voo MH17. O sensor de proximidade detonou a ogiva de fragmentação na menor distância possível antes do impacto, mandando uma chuva de 70 quilos de metal quente em alta velocidade contra a fuselagem.

A caixa-preta não tem como determinar o ponto de origem do lançamento, nem se houve mais de um míssil envolvido na ação. Mas poderá esclarecer se em algum momento a tripulação considerou o risco de um ataque, embora a área não tenha sido declarada em condições de conflito.

Aparentemente, o Boeing 777 se deslocava nivelado, na velocidade de cruzeiro de cerca de 900 km/h. O sistema terá armazenado a conversa entre os pilotos e também os eventuais contatos dos tripulantes com os controladores em terra. Dados de freios, asas, corpo da aeronave, motores e dos movimentos realizados são reunidos do Núcleo de Captação. No total, são coletados 700 diferentes parâmetros e ao menos 180 minutos de áudio. Alojada nos fundos do avião, a unidade resiste a impactos diretos de 15 toneladas.

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