Sistema político israelense favorece partidos nanicos

Mais de 30 grupos disputam eleição; necessidade de fazer coalizões com pequenos desestabiliza governos

Daniela Kresch, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

Nada menos do que 33 partidos disputarão os votos dos israelenses nas eleições de terça-feira. Só 13 ou 14 devem conseguir eleger representantes para a Knesset (o Parlamento de Israel) e apenas 5 devem obter mais de 7 cadeiras. O grande número de pequenos partidos reflete a fragmentação da sociedade israelense. Os grupos políticos representam minorias (como judeus ortodoxos, árabes e russos), correntes ideológicas específicas (pacifistas de esquerda e colonos de direita) ou eleitores de diferentes ascendências (judeus europeus - os ashkenazis - e judeus vindos de países árabes - os sefarditas ou mizrahims).O parlamentarismo israelense dá aos pequenos partidos uma força singular. Os grandes nunca conseguem maioria absoluta no Parlamento - 61 das 120 cadeiras do Knesset. Por isso, o vencedor sempre precisa negociar coalizões com outros movimentos políticos para atingir a maioria. No vale-tudo para montar o quebra-cabeças do novo governo, os pequenos partidos saem ganhando. O grupo vencedor das eleições israelenses tem seis semanas para conseguir o apoio de 61 parlamentares. Caso não consiga, geralmente perde a chance de montar um governo. A contagem regressiva leva a uma negociação desenfreada, que inclui a promessa de verbas astronômicas, a aprovação de leis específicas e até nomeações para cargos de primeiro escalão. As alianças, em geral, são formadas entre partidos que discordam entre si em pontos básicos, muitas vezes abrindo discussões internas intermináveis e causando impasses.Mesmo que consiga reunir 61 parlamentares, o vencedor das eleições não pode respirar aliviado. Pela lei eleitoral israelense, todo e qualquer partido pode deixar a coalizão a qualquer momento - levando à derrocada do governo e até mesmo provocando novas eleições. Trocando em miúdos, o partido que ganhou o maior número de votos precisa manter seus aliados felizes por todo o mandato de quatro anos, sob pena de ver sua administração acabar antes do tempo.Para muitos analistas, isso obriga o primeiro-ministro a passar mais tempo na luta por sua sobrevivência política do que na tomada de decisões cruciais para o país. O resultado é a instabilidade política crônica. Nos últimos 13 anos, nenhum governo chegou ao fim de seu mandato.FRAGMENTAÇÃOPela lei eleitoral israelense, todo partido que consiguir um mínimo de 2% dos votos pode ter representação no Parlamento. Em Israel, esse porcentual significa apenas 63 mil votos. Em 2003, dois partidos nanicos - o Partido Verde e o Folha Verde (ambos defensores do meio ambiente) - conseguiram 40 mil votos e quase chegaram ao Legislativo. Desta vez, concorrem três partidos "verdes", além de movimentos com nomes esquisitos, como "A Força do Dinheiro" e "O Direito dos Homens". O mais polêmico é o que reúne ativistas pela legalização da maconha e pelo respeito aos sobreviventes do Holocausto. Originalmente, eram dois partidos separados: o "Sobreviventes do Holocausto" e o "Folha Verde".

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