Sistema precário e longas filas ameaçam tumultuar votação

Previsão é a de que afluência recorde e mecanismos eleitorais descentralizados espalhem confusão na hora de votar

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

Mais de 130 milhões de eleitores estão registrados para votar até terça-feira, dia da eleição. Diante do grande comparecimento, especialistas americanos prevêem todo tipo de problema na votação. Os Estados mais vulneráveis são Flórida, Colorado, Pensilvânia, Virgínia e Ohio, segundo Lawrence Norden, especialista em sistemas de votação e direito eleitoral do Brennan Center for Justice.Os problemas mais prováveis são falhas nas urnas eletrônicas, erros na base de dados de eleitores, contestações judiciais, tentativa de intimidação de eleitores e filas quilométricas em alguns locais de votação."Os problemas ganham uma dimensão maior porque em muitos Estados a eleição está muito apertada", disse Norden ao Estado. Além disso, os Estados Unidos, a única superpotência do planeta, têm um histórico de país subdesenvolvido quando se trata de eleições.A primária da Carolina do Sul, em janeiro deste ano, foi uma prévia dos problemas que podem estar pela frente. Quase 80% das urnas eletrônicas do condado de Horry, que tem 120 mil pessoas, não funcionaram, por causa de um erro dos funcionários.Não havia cédulas de papel suficientes e as autoridades eleitorais tiveram de usar guardanapos e toalhas de papel para registrar votos. O comparecimento recorde deve resultar em longas filas, e muitos observadores temem que alguns eleitores desistam de votar."Precisamos ter urnas que funcionem e funcionários bem treinados para evitar filas enormes, que levariam muitas pessoas a desistir de votar - estamos também aconselhando os eleitores a terem paciência", disse ao Estado Edward Hailes, advogado do Advancement Project, entidade não-partidária que quer garantir acesso às urnas.BOATOSJá há sinais de golpes baixos e intimidação de eleitores. Na Virgínia, estão circulando folhetos dizendo aos eleitores que, em razão do comparecimento recorde, a votação será feita em dois dias - republicanos na terça-feira e democratas na quarta-feira."Essa é uma tentativa de fazer com que os democratas não compareçam às urnas no dia da eleição e os responsáveis precisam ser punidos", diz Hailes.De acordo com Norden, a eleição americana costuma ser marcada por problemas porque o sistema eleitoral nos EUA é muito descentralizado."É como se tivéssemos 50 eleições em um dia", diz. Além disso, cada condado tem suas regras locais, com diferentes sistemas. De acordo com Hailes, isso resulta em 13 mil sistemas diferentes de votação.VULNERABILIDADEOs Estados mais vulneráveis são aqueles nos quais se espera grande comparecimento de eleitores, onde há votação para diversos cargos ou plebiscitos e nos em que a disputa está apertada.Na Pensilvânia, por exemplo, não há voto antecipado - então as filas devem ser ainda maiores. O Estado também não oferece cédulas de papel. "Só dão cédulas de papel se 100% das urnas eletrônicas estiverem quebradas", explica Norden.Na Virgínia, haverá comparecimento muito alto e a distribuição de urnas eletrônicas não é boa - locais mais pobres e populosos não têm um número adequado de máquinas.Na Flórida, acabam de mudar o tipo de urna eletrônica, de touch screen (acionado com um toque na tela) para leitura ótica de cédulas de papel escritas a lápis, que deixam registro de papel.Em Ohio, estão tentando eliminar 200 mil eleitores cujos nomes têm alguma discrepância em relação ao registro na base de eleitores do Estado. "Minha carteira de motorista e meu cartão de previdência têm discrepâncias", diz Lawrence. "Em Ohio, eu teria problemas para votar."Mesmo a diferença de uma letra no nome, por erro na base de dados eleitoral do Estado, pode dificultar o voto.Haverá até terça-feira 8,5 milhões de novos eleitores, segundo dados das comissões eleitorais de cada Estado.Os democratas se beneficiam com o maior número de registros de eleitores, pois a maioria dos novos eleitores são de minorias ou jovens e tipicamente votam no Partido Democrata. Por sua vez, os republicanos tentam contestar a validade do maior número possível dos novos registros.CORREÇÃONo artigo publicado ontem na página A14, onde se lê "Virgínia do Norte", leia-se "norte da Virgínia.PROBLEMAS NAS URNASFlórida: O sistema eleitoral do Estado acaba de mudar, o que pode trazer problemas no dia da votação. A urna eletrônica de touch screen (acionada com um toque na tela) foi mudada para um sistema de leitura ótica de cédulas de papel escritas a lápisPensilvânia: Como não há voto antecipado, as filas para votar devem ser muito grandes na terça-feira. O Estado também não oferece cédulas de papel, a não ser que haja problemas em 100% das urnas eletrônicasCarolina do Sul: Durante as primárias de janeiro, autoridades eleitorais tiveram de usar guardanapos e toalhas de papel para registrar votos. No condado de Horry, onde moram 120 mil pessoas, quatro em cada cinco urnas eletrônicas não funcionaram. Observadores temem que, por causa das filas, eleitores desistam de votar Virgínia: Estão circulando folhetos que pedem aos eleitores que, para evitar tumulto, a votação será feita em dois dias - republicanos na terça-feira e democratas na quarta-feira. Analistas afirmam que o comparecimento será alto, mas a distribuição das urnas eletrônicas não é boa. Há poucas máquinas em bairros pobres e populososOhio: O Estado tem um problema com o registro dos nomes dos eleitores na base eleitoral. Cerca de 200 mil têm alguma irregularidade, segundo as autoridadesColorado: Acaba de implantar um novo sistema de registro de eleitores e há dúvidas sobre se ele funcionará ou não

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