Darren Whiteside/Reuters
Darren Whiteside/Reuters

Sites de veículos de imprensa são bloqueados antes das eleições no Camboja

Estados Unidos, União Europeia e ONU questionam a legitimidade da votação por causa da repressão contra opositores e críticos

EFE

28 Julho 2018 | 04h52

PHNOM PENH - O Camboja está impedindo neste sábado, 28, o acesso aos portais de internet de vários veículos de imprensa independentes, um dia antes da realização das eleições gerais, de acordo com denúncias de ativistas.

"Nas últimas horas, foi confirmado que vários provedores de serviço de internet (ISP) e companhias de telefonia estão bloqueando ativamente os sites de jornais e rádios independentes", disse Licadho, organização de defesa dos direitos humanos.

O bloqueio começou ontem à noite coincidindo com o fim da campanha eleitoral e afeta, entre outros, as edições em cambojano das rádios "Voz da América" e "Radio Free Asia", e dos jornais em inglês "Cambodia Daily" e "Phnom Penh Post", acrescentou Licadho.

A Agência Efe tentou, sem sucesso, acessar as páginas dos veículos de imprensa afetados, enquanto conseguiu abrir sem problemas as páginas de meios de comunicação próximos ao governo.

Esta censura acontece depois que o governo do Camboja aumentou a pressão sobre a imprensa independente no ano passado.

Algumas supostas dívidas milionárias com a fazenda forçaram o fechamento em setembro do "Cambodia Daily", e a venda em maio do "Phnom Penh Post" a um grupo investidor próximo ao primeiro-ministro, Hun Sen.

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Os dois jornais expuseram durante mais de duas décadas vários casos de corrupção de altos escalões do governo e abusos dos direitos humanos cometidos pelas autoridades.

A ofensiva também fez com que 20 rádios locais deixasse de transmitir os boletins noticiários elaborados pela "Voz da América" e "Radio Free Asia".

O bloqueio acontece em um dia de plena reflexão sobre as eleições, onde o legenda governante Partido do Povo do Camboja (PPC) leve a maioria das 125 cadeiras em jogo.

Os Estados Unidos, União Europeia e ONU questionaram a legitimidade da votação por causa desta repressão contra opositores e críticos. /EFE

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