Sites "mortos" são maioria na internet

Apesar de a rede mundial de computadores conseguir propagar informações com velocidade e freqüência, a internet está repleta de sites "mortos" ? páginas totalmente abandonadas e desatualizadas. Quando Ajay Powell conseguiu parar de fumar e correr a Maratona de Honolulu, em 2001, ela criou uma página na Internet para registrar seu progresso, atualizando-a semanalmente com fotografias e contagem de sua distância percorrida. Powell atualizou o site novamente no ano seguinte, quando participou de uma viagem de bicicleta na qual percorreu os mais de 900 quilômetros entre São Francisco e Los Angeles. Depois disso, porém, o site não mostrou seu resultado no percurso nem informações sobre os eventos dos quais ela participou a seguir. Sua página na internet continua parada no tempo. Assim como outras pessoas que entusiasmaram-se com a rede mundial de computadores e criaram páginas e diários virtuais conhecidos como "blogs", Powell perdeu o interesse. A descoberta da internet não era mais atraente. ""Atualizar o site começou a ficar muito chato. Apenas deixei aquela coisa de lado." Um estudo de 3.634 blogs determinou que aproximadamente dois terços deles estavam havia dois meses sem atualização. Um quarto deles foi atualizado apenas no primeiro dia, e nunca mais. "Alguns dizem: ´Estarei muito ocupado, mas voltarei a atualizá-lo." Mas nunca o fazem", analisou Jeffrey Henning, diretor de tecnologia da Perseus Development Corp., empresa responsável pela sondagem. Outros sites morrem por eventos vão e vêm ? campanhas políticas começam e terminam, o novo milênio chegou sem que os computadores causassem uma catástrofe, e assim por diante. Muitos sites custam dinheiro para manter. A não ser que sejam usados serviços gratuitos de hospedagem ou que um amigo resolva emprestar algum espaço, os desenvolvedores de páginas da internet precisam pagar taxas para hospedar os sites e ter direitos sobre os nomes dos domínios cibernéticos. Poucos são como Alan Porter e Anand Ranganathan, que pagam US$ 14 por ano para manter o domínio Votexchange2000.com, que no ano 2000 permitiu aos usuários de um Estado trocarem seu voto para presidente para outro Estado. O site é gerenciado a partir de um computador sob a mesa de trabalho de Ranganathan. Porter disse que a página é mantida no ar como relíquia histórica, apesar de não poder resistir para sempre em meio às constantes mudanças tecnológicas. Partes do site, por exemplo, não funcionam em navegadores mais modernos. Mas a negligência é o mais comum dos motivos para que os sites percam seu lugar no tempo. Don larson, prefeito de Seaside, uma cidade do Oregon, ainda é descrito como candidato no site de sua campanha eleitoral, apesar de ele ter vencido o pleito no ano passado. Os editores da página não voltaram a atualizá-la. Depois de um telefonema da The Associated Press, um pedido de voto na página inicial do site foi discretamente removido.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.