''Situação da mídia na região é preocupante''

ENTREVISTA - Julio Muñoz, Diretor executivo da SIP

Renata Miranda, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

A atual situação da liberdade de imprensa na América Latina é "preocupante", de acordo com o diretor executivo da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP), Julio Muñoz. Segundo ele, alguns dos governos da região restringem a atuação da imprensa para tentar permanecer mais tempo no poder. Abaixo, trechos da entrevista ao Estado:

Como o sr. qualificaria a atual situação da liberdade de imprensa na América Latina?

É preocupante e negativa em muitos países. A situação mais grave, porém, é em Cuba, onde não há meios de comunicação e sim de propaganda.

Há alguma semelhança na maneira em que os governos classificados como "bolivarianos" tratam a imprensa?

Todos os países desse eixo, como Argentina, Bolívia, Equador e Nicarágua, têm um modelo parecido ao da Venezuela, que é um dos países que mais desrespeita a liberdade de expressão. O governo venezuelano implementou um clima beligerante e agressivo contra os jornalistas. E essa maneira de lidar com a imprensa foi exportada para outros países, como a Bolívia, onde o presidente Evo Morales tenta promulgar leis que restringem a atuação de meios de comunicação.

Na sua opinião, o que pretendem os líderes desses países com ações desse tipo?

Governos como o de Hugo Chávez, na Venezuela, e Daniel Ortega, na Nicarágua, fazem ameaças para tentar calar os meios de comunicação e, dessa maneira, manter-se por mais tempo no poder. A informação é pública e os governantes não têm o direito de cortar o acesso do povo às notícias.

QUEM É

Julio Muñoz é doutor em Comunicação pela Universidade de Minnesota. Está na SIP desde 1982 e já deu aulas de jornalismo no Chile.

LIMITAÇÕES

Argentina: Governo de Cristina Kirchner implementou lei de mídia, restringindo atuação de empresas de comunicação

Bolívia: Evo Morales emitiu decreto para obrigar imprensa a mostrar "fervor patriótico"

Equador: Reforma aprovada em referendo permite ao governo de Rafael Correa responsabilizar jornalistas por matérias

Venezuela: Série de ações de Hugo Chávez resultaram no fechamento de rádios e Tvs

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