Situação diplomática só se normaliza após trégua

A crise diplomática entre Brasil e Israel será superada apenas quando houver um cessar-fogo definitivo entre as forças israelenses e o Hamas, na Faixa de Gaza. Segundo diplomatas, o fim desse conflito mais recente será a condição para o Itamaraty autorizar o retorno a Tel-Aviv do embaixador brasileiro Henrique Sardinha - que se reuniu ontem com o chanceler Luiz Alberto Figueiredo no Rio.

DENISE CHRISPIM MARIN, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2014 | 02h00

Não houve ainda sinais de arrefecimento do mal-estar, agravado por declarações do assessor da presidência, Marco Aurélio Garcia, de que Israel comete um "genocídio" em Gaza. Nenhum dos dois governos fez gestos de reaproximação. A decisão do governo brasileiro de chamar o embaixador Sardinha, porém, foi considerada "exagerada" por veteranos da diplomacia.

Segundo o embaixador Luiz Augusto Castro Neves, presidente do Centro de Estudos Brasileiros de Relações Internacionais (Cebri), a crítica poderia ter sido expressa de outra forma. As declarações de Garcia, completou Castro Neves, refletiram uma "visão preconceituosa e antissemita".

Para o embaixador Rubens Ricupero, a medida brasileira pode ser justificável do ponto de vista moral, em razão dos ataques desproporcionais de Israel a Gaza. "Mas é difícil perceber como tal decisão contribuirá para tornar o Brasil um ator participante e aceito por ambos os beligerantes em qualquer processo diplomático de busca da paz na região."

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou ontem nota na qual lamentou a "escalada de desentendimentos" entre os dois países e mencionou o Brasil como exemplo a ser seguido no Oriente Médio de convivência pacífica entre os povos. Em texto do dia anterior, a entidade judaica afirmara que a posição do Brasil poderia ser vista como "endosso" das ações do Hamas.

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