Situação é de ''crise humana'', diz ONG

Médicos Sem Fronteiras alertam para estado de saúde precário dos imigrantes

O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2008 | 00h00

A situação dos imigrantes no sul da Itália está sendo classificada pela ONG Médicos Sem Fronteiras como uma "crise humana". Um relatório sobre a saúde dos imigrantes elaborado pela organização está sendo entregue a autoridades italianas para alertá-las de que nada está sendo feito para resolver os problemas. Na semana passada, a organização intensificou suas reuniões com o Ministério da Saúde da Itália, autoridades locais e diversas agências do governo. Hoje, o único serviço prestado por Roma é o atendimento médico. Mesmo assim, para apenas um pequeno número de pessoas. Francesca Zuccaro, coordenadora de projetos dos Médicos Sem Fronteiras, disse que o governo italiano alega que não pode fazer mais pelos imigrantes porque a maioria deles está sem visto. "Essa é uma grande hipocrisia", afirma Francesca. "O governo sabe o que está ocorrendo. Só não quer ver." Segundo ela, a saúde de muitos imigrantes é crítica. Enquanto a reportagem do Estado visitava um dos armazéns onde viviam muitos imigrantes, um deles se levantou da cama e veio pedir, chorando, um remédio para sua dor de estômago.Na cidade de Rosarno, a prefeitura aceitou liberar recursos para um centro social. Mas, até agora, apenas cede o prédio e paga a uma professora de italiano, que dá aula para os imigrantes duas vezes por semana. Na avaliação da prefeitura de Rosarno, o problema só pode ser resolvido pelo governo central, em Roma. "Essa é a dura realidade do sul da Itália hoje", afirma Dispina Ivasenco, que trabalha como voluntária na associação Omnia.

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