Situação em Darfur é a pior desde início do conflito

A situação humanitária e de segurança em Darfur é a pior desde fevereiro de 2003, época de início do conflito armado nessa região do norte do Sudão que causou a morte de milhares de pessoas, disse nesta quarta-feira o analista da Organização Internacional de Migrações (OIM), Robbie Thomson. "Em menos de um ano e meio, a OIM - que conta com cerca de 70 pessoas na região - registrou 2 milhões de refugiados em uma população de aproximadamente 6 milhões de pessoas", explicou Thomson em entrevista coletiva dada em Genebra após sua recente viagem à região. Darfur é palco de uma violenta guerra desde que, em fevereiro de 2003, grupos rebeldes da região - subsaarianos muçulmanos - iniciaram uma rebelião armada contra o governo de Cartum para protestar pela marginalização da zona pelo regime sudanês, controlado pela minoria árabe. Desde então, a ONU calcula que mais de 100 mil pessoas morreram em conseqüência dos confrontos entre os rebeldes e o Exército sudanês, ajudado pelas tribos árabes Janjaweed - acusadas por organizações internacionais humanitárias de seqüestrar, estuprar, arrasar povoados e massacrar a população. Thomson confirmou que "a violência que reina na região é a única responsável pelo fato de a ajuda internacional não chegar a centenas de milhares de pessoas", que ocupam principalmente as zonas rurais. Segundo a OIM, apenas durante o primeiro trimestre deste ano "cerca de 50 mil pessoas tiveram que deixar seus lares para se refugiarem em outras partes do país ou ir aos acampamentos preparados" no Sudão e no Chade, que faz fronteira com a nação. Embora em agosto "o otimismo tenha se espalhado visivelmente entre os habitantes e a violência tenha caído, agora a situação está pior que nunca", apontou o responsável da OIM, que se mostrou muito pessimista em relação à solução do conflito. Na sua opinião, "a curto prazo não vemos nenhum sinal de que a situação vá melhorar" para os habitantes da região, uma vez que "grande parte (da população) vaga pela região sem ter aonde ir". "Uma mulher de Darfur pode dedicar um mínimo de cinco horas diárias para buscar água e alimentos para sua família em uma região que, paradoxalmente, é muito rica e goza de muitos recursos", apontou Thomson, ilustrando as "lamentáveis" condições de vida da população.

Agencia Estado,

29 Março 2006 | 20h07

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