Situação em Fukushima não permite otimismo, diz premiê japonês

Naoto Kan disse que governo dará o máximo para resolver a crise nuclear rapidamente.

BBC Brasil, BBC

25 de março de 2011 | 10h24

Naoto Kan se curva antes de falar a jornalistas em Tóquio

O primeiro-ministro do Japão disse nesta sexta-feira que a situação da usina nuclear de Fukushima Daiichi, no leste do país, é muito grave e não dá margem para qualquer previsão otimista no momento.

"A condição atual da usina nuclear de Fukushima ainda não nos permite ter qualquer otimismo. Nós faremos o máximo para impedir que a situação se deteriore ainda mais", disse o primeiro-ministro a jornalistas.

A usina sofreu graves danos com o terremoto de magnitude 9 seguido por um tsunami, ocorrido no último dia 11. O sistema de refrigeração dos reatores acabou sendo desligado, trazendo risco de vazamento de material radioativo.

"Eu sinceramente peço desculpas a (...) fazendeiros e produtores de leite pelos danos severos (causados pela crise nuclear). Nós daremos o máximo para compensar pelos prejuízos e dar-lhes apoio", afirmou Kan.

Investigação

A agência de segurança nuclear do Japão afirmou nesta sexta-feira que um exame rigoroso está sendo realizado para encontrar a causa de um possível vazamento de material radioativo no reator 3 de Fukushima.

A Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que controla a usina, afirma que perigosos níveis de radioatividade foram detectados na água acumulada perto do reator.

Era neste local que trabalhavam os dois técnicos que foram internados na quinta-feira, com queimaduras nas pernas causadas por raios beta. Eles continuam no hospital.

O material radioativo encontrado, segundo autoridades, tem nível 10 mil vezes maior que o considerado normal. Isto pode significar que houve danos na cúpula, nos canos, válvulas ou mesmo no núcleo do reator.

O porta-voz da Tepco, Hidehiko Nishiyama, disse que não há dados, como nível de pressão, que indiquem um possível dano no núcleo do reator. "Ainda é incerto como o vazamento aconteceu", disse à imprensa.

Na China, dois turistas japoneses que saíram de Tóquio foram internados com alto nível de radiação. Ainda não se sabe como eles foram contaminados, já que disseram que não chegaram perto da província de Fukushima.

Segundo o governo chinês, os dois estão num hospital especializado e foram feitos testes nas malas e roupas que detectaram níveis "seriamente acima do normal".

Evacuação

O governo japonês sugeriu nesta sexta-feira que os moradores num raio de 20km a 30km da usina de Fukushima deixem suas casas de forma voluntária.

Segundo Yukio Edano, porta-voz do governo, a medida é para facilitar o acesso destas pessoas a produtos de primeira necessidade, e não tem relação com a questão da segurança ou contaminação radioativa.

"A distribuição de produtos está afetada e isso dificulta a sobrevivência por um longo período de tempo", disse Edano a jornalistas.

Segundo a agência de notícias Kyodo, as empresas de distribuição alegaram que motoristas têm medo de se expor à radiação e por isso resistem a ser enviados ao local.

O governo japonês garantiu total assistência e colocou à disposição transporte e abrigo.

No entanto, Edano afirmou que não há intenção de expandir a área de evacuação, que até o momento é de 20km de distância da usina nuclear.

Duas semanas

Passadas duas semanas após o terremoto e o tsunami que atingiu o Japão, o trabalho de recolhimento de corpos continua. Os mortos já chegam a 10 mil mortos, emquanto 17.440 pessoas estão desaparecidas.

Pelo menos 250 mil pessoas vivem em abrigos do governo. O temor agora é de um possível aumento de casos de doenças, já que na região mais atingida o frio continua intenso.

O governo estima que 18 mil casas foram completamente destruídas pelo tsunami e que outras 130 mil sofreram danos. A reconstrução deve custar aos cofres públicos cerca de US$ 309 bilhões (R$ 509 bilhões).

* Colaborou Ewerthon Tobace, de Tóquio para a BBC Brasil BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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