Situação na fronteira com a Índia é frágil, diz Paquistão

O primeiro-ministro paquistanês, Yousaf Raza Gilani, disse na sexta-feira que a situação na fronteira com a Índia é frágil. No mesmo dia, o vice-presidente-eleito dos EUA, Joe Biden, chegou ao país para um esforço de melhoria nas relações entre as duas potências nucleares do sul da Ásia. A tensão bilateral se agravou por causa dos atentados islâmicos de novembro em Mumbai, que mataram 179 pessoas. A Índia desde o começo culpou militantes vindos do Paquistão, mas nesta semana o primeiro-ministro Manmohan Singh elevou o tom e sugeriu ter havido apoio de "algumas agências oficiais" ao ataque. O Paquistão negou envolvimento de seus órgãos públicos e acusou Singh de estar agravando a tensão. Na quarta-feira, Islamabad confirmou que o único militante que sobreviveu ao ataque é paquistanês. "A situação na nossa fronteira leste novamente se tornou muito frágil", disse Gilani em um seminário em Islamabad. O premiê considerou lamentável que a Índia tenha congelado um processo de paz iniciado há quatro anos e que já havia conseguido melhorar as relações entre os dois países, que travaram três guerras desde 1947. "O mundo não deve permitir que a tensão entre Índia e Paquistão aumente", afirmou. Biden, que nos últimos anos presidiu a Comissão de Relações Exteriores do Senado, chegou ao Paquistão junto com Lindsey Graham, presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado, segundo um adido de imprensa da embaixada dos EUA. Os senadores irão se reunir com o presidente Asif Ali Zardari e com outros líderes. Embora a tensão esteja elevada, não há sinais de que se repita a concentração de tropas na fronteira ocorrida em 2002, depois de um atentado no Parlamento indiano, que Nova Délhi também atribuiu a militantes do Paquistão. Analistas consideram que atualmente diminuiu a chance de a Índia recorrer a uma ação militar. (Reportagem adicional de Augustine Anthony)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.