REUTERS/Murad Sezer
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Situação na Turquia é incerta e pessoas saem para comprar água e sacar dinheiro, conta brasileira

A artista plástica Camila Rocha explica como recebeu a notícia do golpe militar no país e o que viu de reações entre os moradores de Istambul

Fernanda Simas, O Estado de S. Paulo

15 Julho 2016 | 20h28

Moradores da Turquia só tiveram certeza do que estava acontecendo no país nesta sexta-feira, 15 quando a televisão oficial, TRT, emitiu o comunicado das Forças Armadas anunciando a tomada do poder e a implementação da lei marcial. “Foi anunciado que estamos sob toque de recolher e os militares tomaram o poder. Todos os aeroportos estão fechados”, conta a brasileira Camila Rocha, artista plástica que mora em Istambul.

“As Forças Armadas da Turquia completaram a tomada da administração do país para reinstalar a ordem constitucional, direitos humanos e liberdade, o estado de direito e a segurança geral que foi afetada”, informou o comunicado militar, aproximadamente uma hora e meia depois das primeiras movimentações em bases do Exército e nas ruas serem notadas. 

Poucos minutos antes do anúncio, as pessoas saíram às ruas e fizeram filas nas lojas e em frente aos caixas eletrônicos. “A situação  é incerta e as pessoas correm às ruas para comprar mantimentos e sacar dinheiro, não se vê táxis ou carros nas ruas”, conta Camila. 

Desinformação. A população estava sem nenhuma informação até a leitura do comunicado e muitos especulavam se havia alguma ameaça de ataque terrorista ou se a movimentação militar poderia ser uma forma de propaganda do presidente Recep Tayyip Erdogan para permanecer no poder com maior respaldo da população. 

Caças sobrevoavam Istambul e a capital Ancara, a ponte do Bósforo, que liga a Ásia com a Europa, foi fechada e todos os voos, cancelados. Minutos depois do anúncio das Forças Armadas, Erdogan fez um pronunciamento condenando o golpe e pediu que a população resistisse, saísse às ruas e “lutassem contra o golpe”. 

Apenas depois dos anúncios, os moradores tiveram a certeza de que havia sido dado um golpe militar no país, mas continuam com o sentimento de incerteza sobre o futuro e o que vai acontecer no país a partir de agora. “Tirei dinheiro, comprei água, agora é esperar”, afirma Camila.

Violência. Além disso, a tensão aumentou com a possibilidade de confrontos nas ruas após o pedido de Erdogan. “Pessoas que apoiam o governo estão indo para a rua agora e já é possível escutar alguns confrontos, possivelmente vindos de (praça) Taksim. Já escuto tiros”, relatou a brasileira Camila Rocha nesta noite. 

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