Nelson Almeida / AFP
Nelson Almeida / AFP

Situação na Venezuela desloca parlamentares da bancada de RR para a fronteira

Quadro afeta tanto venezuelanos como brasileiros; cerca de 13 mil brasileiros vivem atualmente na Venezuela

Amanda Pupo, Rafael Moraes Moura e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2019 | 19h20

Preocupados com a situação na fronteira com a Venezuela, parlamentares da bancada de Roraima estão se deslocando até a cidade fronteiriça de Pacaraima (RR) para acompanhar de perto a crise deflagrada após o fechamento da fronteira por ordens de Nicolás Maduro. O quadro afeta tanto venezuelanos como brasileiros. De acordo com dados mais recentes do Itamaraty, cerca de 13 mil brasileiros vivem atualmente na Venezuela.

Da base governista, o deputado federal Nicoletti (PSL) foi até Pacaraima na manhã desta sexta-feira, 22. Em nota, Nicoletti relatou que, na cidade fronteiriça, se deparou com um "cenário de tensão", em que brasileiros e venezuelanos tentavam, sem sucesso, cruzar a fronteira. O parlamentar ainda alegou que está atuando como elo entre o governo federal e o governo do Estado.

Do PSD, o deputado federal Haroldo Cathedral disse à reportagem que se deslocaria de Boa Vista, capital de Roraima, rumo a Pacaraima ainda neste sábado. "Queremos ver o que está acontecendo, se a situação está condizente com o que o povo está falando. Parece uma situação catastrófica, que tende a piorar", relatou o parlamentar à reportagem. O deputado destacou que, segundo relatos, "tem uma aldeia indígena da Venezuela, que fica a 10 km da fronteira, disposta a enfrentar o exército de Nicolás Maduro".

Quem está também acompanhando de perto a situação é o senador Chico Rodrigues, do DEM, que seguiu hoje cedo para Pacaraima, diante da possibilidade de conflitos na região. Rodrigues disse ao Broadcast que recebeu uma ligação, na noite de sexta, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), preocupado com o quadro na fronteira. "Tenho certeza que, na semana que vem, o Senado deve nomear uma comissão para que possa realmente vir acompanhar a situação. Eu estou aqui hoje e continuarei aqui", afirmou o senador.

Rodrigues avalia que o radicalismo do governo de Nicolás Maduro, que dificultou a chegada de alimentos e medicamentos na Venezuela ao fechar a fronteira, pode se tornar um "caldeirão de pólvora", referindo-se a uma eventual revolta na população por não conseguir receber a ajuda humanitária planejada para a região.

 

Brasileiros

A possibilidade de um confronto entre tropas brasileiras e o exército venezuelano é algo rejeitado pelo governo federal. Em entrevista ao Estado, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, disse que "não há possibilidade de confronto militar" entre Brasil e Venezuela. O deputado Haroldo Cathedral concorda. "O Brasil não tem essa vocação de estar fazendo intromissão política em outros países. Acho muito difícil o Brasil fazer essa invasão", disse o deputado.

Na avaliação do senador Rodrigues, no momento, não há nada que ameace a população brasileira, já que ele vê o problema como assunto "interno" da Venezuela. "Mas de qualquer forma estamos na fronteira. Mas tenho certeza que o Brasil está pronto tanto para manter a neutralidade quanto para, se necessário, defender o povo brasileiro", disse.

Ele lembrou que há centenas de brasileiros que moram em Pacaraima e trabalham na cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén, que faz fronteira com o município brasileiro. O momento, segundo o senador, é da diplomacia brasileira manter a vigilância ao cumprimento de acordos internacionais. "É momento de apreensão enorme. Estamos impotentes para fazer alguma coisa, mas confio na diplomacia brasileira", observou.

Rodrigues avaliou ainda que o que está em jogo neste momento não são apenas os equívocos do governo de Maduro, mas também interesses estratégicos mundiais. Ele observou que a Venezuela é dona da quarta reserva mundial de petróleo e que há interesse de outros países nessa reserva natural.

Economia

O quadro também gera uma apreensão para economia local. O governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), já demonstrou preocupação sobre as exportações e a safra no Estado. Em conversa com jornalistas na última quinta-feira, 21, Denarium lembrou que Roraima é importador de calcário e fertilizante da Venezuela. O bloqueio, segundo ele, poderá afetar o próximo plantio, que se inicia nos meses de maio e junho.

O governador também observou que o Estado é um exportador de alimentos para o país venezuelano. "Isso também pode comprometer o faturamento das empresas de Roraima, e até o fechamento de algumas empresas", disse Denarium. 

 

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