AP Photo/Jacquelyn Martin, File
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Situação na Venezuela ‘não é normal’, afirma Almagro sobre decisão de Maduro

Presidente venezuelano disse na terça-feira que deixou os cinco principais portos do país nas mãos do Exército, como parte de uma grande mobilização de soldados

O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2016 | 11h00

CARACAS - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse na quarta-feira no Paraguai que a situação institucional da Venezuela "não é normal", referindo-se à decisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro de recorrer aos militares para enfrentar a crise econômica.

Na terça-feira, Maduro anunciou que deixou os cinco principais portos da Venezuela nas mãos do Exército, como parte de uma gigantesca mobilização de soldados na recém-lançada "Missão de Abastecimento Soberano", a cargo do próprio ministro da Defesa, o general Vladimir Padrino López.

A decisão "deixa claro que a situação não é a normal que poderia ser a situação institucional do país", afirmou o titular do organismo interamericano, ao ser consultado por jornalistas sobre o anúncio do chefe de Estado da Venezuela.

Segundo Almagro, as imagens de milhares de venezuelanos cruzando a fronteira com a Colômbia no último fim de semana para comprar alimentos e remédios, "é algo muito significativo da situação social que vive o país".

O chefe da OEA inaugurou na quarta, em Assunção, um fórum de ministros e especialistas na luta contra a pobreza na região. Almagro também se reuniu com o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga.

Na segunda-feira, Loizaga teve um encontro em Montevidéu com seus colegas do Mercosul e foi o encarregado de anunciar que não houve acordo sobre a transferência da presidência do bloco para Caracas.

"Que ponha seus presos políticos em liberdade, que faça gestos que comprometam-no com a democracia, de outro modo, não haverá consenso para entregar a presidência à Venezuela", disse o chanceler do Paraguai.

No mês passado, Almagro apresentou um relatório ao Conselho Permanente da OEA e garantiu que a Venezuela vive "uma grave alteração da ordem constitucional". Por esse motivo, pediu a ativação da Carta Democrática Interamericana. O debate continua em aberto sobre a aplicação do instrumento que implementa sanções em casos de ruptura democrática. / AFP

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