Situação no Japão não piorou, diz agência nuclear da ONU

A situação na usina nuclear japonesa de Fukushima Daiichi continua grave, mas sem uma deterioração acentuada, disse na sexta-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU).

MICHAEL SHIELDS E SYLVIA WESTALL, REUTERS

18 de março de 2011 | 17h51

A avaliação foi divulgada depois de engenheiros japoneses admitirem que enterrar a usina sob areia e concreto pode ser um último recurso para evitar uma liberação grande de radiação, mesmo método que foi usado na usina ucraniana de Chernobyl, em 1986.

"A situação em Fukushima Daiichi continua muito grave, mas não houve piora significativa (em relação ao dia anterior)," afirmou Andrew Graham, alto funcionário da AIEA, a jornalistas na sexta-feira. "A situação nos reatores nas unidades 1, 2 e 3 parece permanecer bastante estável."

O Japão ainda tem esperança de resolver a crise conectando um cabo elétrico a dois reatores, de modo a religar as bombas necessárias para injetar água nos tanques de resfriamento do combustível nuclear.

"Quando o acidente acabar haverá uma série de questões ... a serem consideradas com muito cuidado", disse Andrew. "Como lidar com os reatores restantes, remover o combustível em segurança e desativá-lo. Mas vocês hão de convir que isso não é a prioridade hoje."

Não há condições técnicas para selar uma usina atômica logo depois de um acidente, quando o resfriamento ainda não foi concluído. A de Chernobyl, cenário do pior acidente nuclear da história, só foi coberta por um "sarcófago" seis meses depois.

Andrew disse que o trabalho de resfriamento continua, e citou como positivo o acionamento de geradores a diesel para fazer o trabalho nos reatores 5 e 6.

Ele disse que os técnicos continuam preocupados com os tanques de resfriamento dos reatores 3 e 4. "Ainda faltam informações confiáveis e validadas sobre os níveis de água e de temperatura dos tanques de combustível irradiado", disse ele.

A AIEA está monitorando os níveis de radiação em 47 cidades japonesas, e até agora não detectou ameaças à saúde humana.

"As dosagens em Tóquio e outras cidades continuam muito aquém dos níveis que exigem ação. Em outras palavras, eles não são perigosos para a saúde humana", afirmou Andrew.

Em Tóquio, o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, reuniu-se com altos funcionários do governo e da empresa Tokyo Electric Power, operadora da usina.

Amano, segundo Andrew, "ressaltou a importância de proporcionar informações mais rápidas e detalhadas sobre a situação nas usinas nucleares, incluindo a comunidade internacional."

Segundo Andrew, organizações internacionais concluíram que operações aéreas e marítimas podem continuar normalmente, e que não há razão médica para impor medidas adicionais de proteção aos passageiros.

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