Situação no Timor Leste ainda é tensa, afirma Horta

O primeiro-ministro timorense, José Ramos Horta, afirmou na quinta-feira que os primeiros 100 dias de seu governo foram muito difíceis, porque "não foram cumpridas as expectativas de rápida estabilização e de maior segurança no país". Ramos Horta disse que o pior da violência em Díli já passou. Mas reconheceu que a situação na capital continua tensa. Horta, premiado com o Nobel da Paz em 1996, foi empossado como primeiro-ministro em 10 de julho. Na quinta-feira, ele apresentou ao Parlamento timorense um relatório sobre as medidas executadas durante seu mandato. Também enviou aos parlamentares projetos que pretende desenvolver até a realização das eleições legislativas previstas para 2007, que escolherão o terceiro governo constitucional do território. O líder informou também que mais de 70 mil desabrigados ainda vivem em acampamentos nos distritos e outros 23 mil em Díli. Todos se recusam a voltar para suas casas, temendo uma nova onda de violência, como a de maio, que fez 30 mortos e levou a ex-colônia portuguesa à beira da guerra civil. Refugiados "Não existem condições de insegurança que justifiquem a manutenção dos evacuados", disse o premier, sublinhando que essa posição tem sido transmitida aos responsáveis pelos campos de refugiados. "Temos transmitido muito claramente aos líderes dos campos que é hora do retorno às suas casas. Se, por acaso, ainda não tiverem confiança, o que é uma preocupação legítima, nós já estamos construindo barracões temporários para onde poderão se mudar por alguns meses, durante a temporada de chuvas", destacou. Por sua vez, as forças da ONU em Díli aumentaram o número de patrulhas para garantir a segurança e evitar um novo foco de violência. Em comunicado emitido na noite de quinta-feira, a Missão Integrada no Timor Leste (Unmit) explicou que mil policiais da ONU atuam em Díli, com 50 patrulhas em ação 24 horas por dia. "Os cidadãos se sentirão mais seguros sabendo que a polícia está presente para responder a qualquer tipo de violência", disse Finn Reske Nielsen, diretor interino de Unmit, num texto escrito em inglês na língua nativa.

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