Situação no Zimbábue é de ´ameaça à vida´, diz religioso

Arcebispo defende intervenção externa como solução para a crise política e econômica no país

BBC

10 Julho 2007 | 14h02

O Arcebispo de Bulawayo, Pius Ncube, afirmou nesta terça-feira, 10, que a situação política e econômica no Zimbábue alcançou "proporções de ameaça à vida". Ele acusa o governo do presidente Robert Mugabe de não se responsabilizar pela grave crise. Ncube diz que quase não há mais combustível no país, e a cada dia, as pessoas são obrigadas a caçar um pedaço de pão. O arcebispo diz que na atual situação uma política de intervenção regional se faz necessária. O diálogo entre o partido do governo no Zimbábue e a oposição foi retomado esta semana na África do Sul, com o presidente do país, Thabo Mbeki, como principal mediador. Mas o arcebispo Ncube diz que duvida que o presidente Mugabe atue como verdadeiro líder, no sentido de retomar um pacto de anistia. "Mugabe é um homem megalomaníaco. Ele ama o poder, ele vive pelo poder. Até mesmo seus próprios colegas de partido pedem para que ele se diminua." "De acordo com o Zanu-PF (partido governista) ele fez muita coisa boa; na minha opinião, Mugabe fez muita coisa ruim", disse o arcebispo. Ncube falou em Johannesburgo para a Solidarity Peace Trust, uma organização não-governamental baseada na igreja, que está lançando um relatório sobre a crise no Zimbábue. O documento mostra que a repressão do Estado contra vozes dissidentes do regime tem aumentado desde março, quando muitos membros da oposição foram presos e agredidos. Porém, o relatório também mostra que o partido governista no Zimbábue, o Zanu-PF, já perdeu muito de sua legitimidade política. Mugabe acusa o Ocidente de impor a crise econômica no país para tentar triá-lo do poder.

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