Jewel Samad / AFP
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‘Smog’ em Nova Délhi fecha escolas e paralisa obras

Neblina poluente é comum na capital indiana durante o inverno, provocada por gases de veículos, emissões industriais e fumaça de queimadas agrícolas; governo enviou um purificador de ar ao Taj Mahal por temer que a poluição afete o local

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2019 | 06h55

NOVA DÉLHI - Os 20 milhões de habitantes de Nova Délhi enfrentavam nesta segunda-feira, 4, a intensa poluição na cidade, uma emergência de saúde que levou ao fechamento de escolas, à interrupção do trânsito e à paralisação de obras. 

Uma neblina poluente envolve Nova Délhi a cada inverno, provocada pelos gases dos veículos, emissões industriais e fumaça das queimadas agrícolas nos Estados vizinhos.

A crise atual, no entanto, se transformou na pior registrada nos últimos três anos. O ministro-chefe de Nova Délhi, Arvind Kejriwal, pediu medidas para combater o que chamou de "contaminação insuportável". "Há fumaça por todos os lados e as pessoas, incluindo jovens, crianças e idosos, têm dificuldades para respirar", afirmou ele. 

Purificador de ar no Taj Mahal

O governo de Kejriwal proibiu a circulação de metade dos carros particulares na cidade, com base em um sistema de rodízio de placas.

As escolas estão fechadas desde sexta-feira. Kejriwal anunciou que as autoridades distribuíram máscaras para os estudantes.

As obras de construção estão paralisadas em Nova Délhi e nas proximidades até terça-feira.

Outras regiões do país também foram afetadas pelo “smog”, informou a Junta Central de Controle da Contaminação.

O governo enviou uma caminhonete com um purificador de ar ao Taj Mahal, a principal atração turística do país, a 250 km da capital indiana, por temer que a poluição afete o mausoléu de mármore do século 17, informou a agência Press Trust of India

Poluição vira tema de debate político

Com eleições em Nova Délhi programadas para o início de 2020, a crise de poluição virou um tema de debate político.

Kejriwal, que comparou a capital a uma "câmara de gás" na sexta-feira, afirmou que a cidade fez sua parte para combater a contaminação e que a queimada de restolho de trigo em fazendas de fora da região é responsável pelo “smog”.

O ministro do Meio Ambiente, Prakash Javadekar, acusou a Kejriwal de politizar o tema, enquanto um parlamentar do governante Partido Bharatiya Janata (BJP) chamou de "truque" o rodízio de placas e afirmou que pretendia ignorar a regra.

Um grupo de ecologistas escreveu uma carta ao primeiro-ministro Narendra Modi e pediu para que ele assuma a liderança e ajude a encontrar uma solução para o problema. 

14 cidades indianas entre as 15 mais poluídas do mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que 14 cidades indianas, incluindo a capital, estão entre as 15 mais poluídas do mundo. 

Especialistas alertam que os governos devem ir além dos remédios a curto prazo e abordar as principais causas da contaminação para melhorar a qualidade do ar a longo prazo.

Daniel Cass, vice-presidente de saúde ambiental da Vital Strategies, acredita que o governo deveria restringir as emissões das motos, muito utilizadas em Nova Délhi, e pediu mais investimentos em transporte público.

Mudar as práticas agrícolas e as fontes de geração de energia elétrica e acelerar a conversão da calefação doméstica do carvão para o gás natural também são medidas cruciais na luta contra a poluição, afirmou Cass.

A chanceler alemã, Angela Merkel, que visitou Nova Délhi no fim de semana, prometeu € 1 bilhão ao governo da Índia para estimular os transportes ecológicos nos próximos cinco anos e pediu às autoridades locais mais ações contra a poluição. / AFP

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