Smurfs e bananas inspiram obras sobre queda do muro de Berlim

Mostra exibe ideias descartadas para monumento à reunificação alemã.

Marcio Damasceno, BBC

11 de maio de 2009 | 07h42

Uma instalação com os smurfs subindo em uma laje e a estátua de uma banana gigante estão entre as 532 ideias submetidas por artistas e que foram recusadas em um concurso para escolher um monumento à reunificação da Alemanha.

O governo alemão decidiu anular a concorrência para o "NationalesFreiheits- und Einheitsdenkmal" (Monumento Nacional pela Liberdade eUnidade, em tradução livre), afirmando que a qualidade dos trabalhosfoi "insuficiente".

O júri decidiu pelo cancelamento da concorrência por ter consideradocomo "porcaria" 25% dos trabalhos. Segundo a imprensa alemã, alguns dos19 membros da comissão de julgamento qualificaram trabalhosapresentados como "desastrosos" e "ingênuos".

Entre as propostas mais inusitadas, que abusam da criatividade e do bom humor, estiveram a imensa banana dourada (rara na Alemanha Oriental, a fruta representava no país o sonho de consumo capitalista), uma girafa e a festa dos smurfs, os pequenos duendes azuis personagens de desenho animado, comemorando a queda do Muro de Berlim, símbolo da Guerra Fria e da divisão da Alemanha, derrubado em 1989.

Críticos como a revista Stern, entretanto, acreditam ter sido "vergonhoso" cancelar por suposta falta que qualidade um concurso incluindo mais de 500 candidatos, entre eles arquitetos e artistas de renome, como Axel Schultes e Charlotte Frank, autores do projeto prédio da Chancelaria Federal, a sede do governo alemão.

"Acho estranho", disse à BBC Brasil a arquiteta brasileira Daniela Brasil, cujo trabalho "Jardins suspensos em Berlim", um jardim suspenso com formato do mapa da Alemanha, projetado em parceria com o arquiteto alemão Bernhard König, está entre as propostas exibidas na exposição.

"Acho que vai ser como o Monumento ao Holocausto, que levantou muita controvérsia e também só foi construído depois que o primeiro concurso público foi anulado", comparou.

"Eles fazem esses concursos, mas, no final, nomeiam um arquiteto de renome, para trazer mais brilho à cidade", prevê.

Ela achou interessante que alguns colegas tenham optado por uma abordagem bem-humorada.

"O meu trabalho também tem um certo lado debochado", lembrou. "É um jardim em que pessoas sobem pelo leste e pelo oeste, se encontrando bem no alto", explica.

Depois que a primeira concorrência pública foi anulada, o governo alemão anunciou a realização de um segundo concurso, com arquitetos convidados.

As propostas estão sendo expostas no Kronprinzenpalais, centro de Berlim, até 31 de maio. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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