Reuters/Reprodução
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Snowden agradece à Rússia por asilo e critica governo Obama

Casa Branca se diz profundamente desapontada com decisão do Kremlin sobre ex-técnico da CIA

O Estado de S. Paulo,

01 de agosto de 2013 | 13h33

MOSCOU - O ex-técnico da CIA Edward Snowden, responsável por revelar para a imprensa a existência de um amplo programa de espionagem do governo americano, disse nesta quinta-feira, 1, ao sair  do Aeroporto de Moscou após mais de um mês preso na zona de trânsito do terminal que "a lei está vencendo" e criticou o governo do presidente Barack Obama. Por meio do porta-voz Jay Carney, a Casa Branca expressou seu profundo descontentamento com o governo russo e prometeu entrar em contato com as autoridades do Kremlin sobre o caso.

"Nas últimas oito semanas, vimos o governo Obama não mostrar respeito nenhum pelas leis locais e internacionais", disse Snowden, em declarações divulgadas pelo WikiLeaks, que o tem ajudado desde o vazamento das informações para os jornais The Guardian e Washington Post. "Agradeço à Rússia por me conceder asilo, de acordo com as lei internacionais."

Anatoly Kucherena, advogado que representa Snowden em Moscou, disse que o norte-americano recebeu o chamado "asilo temporário", o que permite que ele permaneça e viva em território russo. A Rússia costuma conceder asilos temporários de um ano, renováveis por igual período.

"Ele é o homem mais procurado do planeta Terra. O que você acha que ele vai fazer? Ele tem que pensar em sua segurança pessoal. Não posso te dizer onde ele está indo", disse seu advogado, Anatoly Kucherena, à Reuters.

"Eu o coloquei em um táxi entre 15 e 20 minutos atrás e dei-lhe o certificado para obter o status de refugiado na Federação Russa", disse ele. "Ele pode morar onde quiser na Rússia. É a sua escolha pessoal."

O advogado disse que Snowden não ficaria em qualquer embaixada em Moscou, apesar de três países latino-americanos terem se oferecerem para abrigá-lo. Snowden estava bem, acrescentou Kucherena. Snowden estava acompanhado por Sarah Harrison, uma representante do WikiLeaks, que confirmou que ele havia deixado o aeroporto.

Reação. O governo americano contestou a decisão do Kremlin."Vemos isso como um desenvolvimento lamentável e estamos extremamente desapontados, disse o porta-voz da Casa Branca, que colocou em dúvida a realização de um encontro bilateral com os russos no mês que vem. "Estamos avaliando a utilidade desse encontro", acrescentou.

Mais cedo, um porta-voz do Kremlin dissera que não haveria dificuldades na relação entre os dois países em razão do asilo concedido a Snowden.  "Nosso presidenteexpressou esperança muitas vezes que isso não afeterá o caráter de nossas relações", disse Yuri Ushakov. / EFE, AP e REUTERS

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