Snowden defende uso de criptografia

AUSTIN, EUA - Falando a uma plateia de representantes da indústria de tecnologia, Edward Snowden fez ontem um apelo para que eles desenvolvam ferramentas que aumentem a segurança das comunicações e dificultem a ação de serviços de espionagem. "O futuro da internet está em chamas e vocês são os bombeiros", disse, em videoconferência, no South by Southwest (SXSW), festival de interatividade realizado em Austin, no Texas.

Cláudia Trevisan, Enviada especial - O Estado de S.Paulo

11 de março de 2014 | 02h05

Snowden disse que a melhor ferramenta para proteção da privacidade é o uso de criptografia, que eleva o custo da espionagem a ponto de quase inviabilizá-la. Em sua primeira participação virtual em um evento nos EUA desde que obteve o asilo na Rússia, ano passado, ele disse ter escolhido falar no SXSW por acreditar que a resposta tecnológica ao monitoramento governamental pode ser mais eficaz que a regulação e supervisão dos órgãos de vigilância.

Aplaudido de pé ao fim de uma hora de conferência, o ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) disse que a criptografia deve ser tratada menos como "magia negra" e mais como uma "proteção básica", que deve estar disponível de maneira automática e simples.

O painel com Snowden teve a participação de Ben Wizner e Christopher Soghoian, da American Civil Liberties Union (ACLU), entidade que atua na defesa dos direitos civis, entre os quais, a privacidade.

Visto como um dos principais "ativistas tecnológicos" dos EUA, Soghoian disse que as revelações de Snowden forçaram a indústria a elevar seus padrões de segurança, mas as soluções ainda não são satisfatórias. "A grande dificuldade da NSA não é como obter dados, mas como analisá-los."

Wizner é advogado de Snowden nos EUA e disse que ambos decidiram que era o momento de o ex-técnico da NSA começar a falar mais em público. O jornalista Glenn Greenwald também participou do SXSW por videoconferência. Como Snowden, ele defendeu a ampliação do uso de programas que coíbam a ação dos serviços de espionagem. "Se todo mundo usar a criptografia, será mais difícil a coleta em massa de dados", declarou.

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