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Snowden está em aeroporto de Moscou e deve deixar logo a Rússia, diz Putin

Segundo líder russo, é impossível extraditá-lo para os EUA porque não há tratado sobre o tema

O Estado de S. Paulo,

25 Junho 2013 | 11h50

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmou nesta terça-feira, 25, que o ex-técnico da CIA Snowden, procurado pelo governo americano por vazar informações sigilosas, está na área de trânsito do Aeroporto de Moscou. Segundo Putin, Snowden não foi interrogado por autoridades russas por não ter cometido nenhum crime e deve deixar o país "o quanto antes".

Por não ter passado pelos trâmites de imigração, tecnicamente Snowden não está em território russo. Segundo Putin, não há como extraditá-lo porque os dois países não têm tratado sobre o tema. "Será melhor para ele e para a Rússia que decida seu destino o quanto antes", disse.

Mais cedo, o chanceler Sergei Lavrov tinha rejeitado qualquer  responsabilidade de Moscou pela tentativa do ex-técnico da CIA Edward Snowden de fugir da Justiça americana. Ele chamou as acusações feitas por Washington "infundadas e inaceitáveis".

Ele escolheu o seu itinerário por conta própria. Nós fomos informado sobre isso a partir da mídia. Ele não cruzou a fronteira com a Rússia", disse Lavrov, em  Moscou. "Consideramos que as tentativas de acusar a Rússia de violar as leis norte-americanas, e praticamente de envolvimento em uma conspiração, são absolutamente infundadas e inaceitáveis."

Snowden, que pediu asilo político ao governo do Equador, fugiu de Hong Kong para Moscou no domingo e está em destino incerto. Esperava-se que ele embarcasse ontem para Cuba, onde pegaria um novo avião para Quito, mas o voo da companhia russa Aeroflot com destino a Havana decolou sem ele.

De Londres, onde está refugiado na embaixada equatoriana, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange - que garante estar ajudando Snowden - disse que a fonte dos vazamentos está são e salvo, a caminho do Equador por meio de uma rota "segura" que inclui a Rússia e "outros países". Segundo o ativista australiano, o governo equatoriano concedeu a Snowden um salvo-conduto, documento que o permite viajar mesmo sem seu passaporte americano.

O governo americano acredita que o ex-técnico da CIA, que vazou para o jornal britânico The Guardian a existência de um programa de monitoramento de telefonemas e redes sociais chamado Prism, esteja  em Moscou. Washington quer sua extradição para processá-lo por divulgar segredos do governo. Ele não foi visto por jornalistas no aeroporto de Sheremetyevo e não se tem conhecimento que ele tenha deixado a área de trânsito.

Uma fonte do aeroporto confirmouque Snowden chegou de Hong Kong na tarde de domingo. A fonte disse que Snowden tinha passagem para embarcar num voo para Havana na segunda-feira, mas que não a utilizou. A fonte não disse onde Snowden estava agora.

O presidente russo, Vladimir Putin, tem mantido silêncio sobre Snowden desde a chegada dele a Moscou, e o porta-voz presidencial disse que o ex-espião da KGB não tem nenhuma informação sobre o paradeiro do norte-americano.

China. O governo chinês, por sua vez, chamou de infundadas as acusações de Washington de que Pequim ajudou o ex-técnico da CIA Edward Snowden a fugir de Hong Kong.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, afirmou em entrevista coletiva que "não é razoável por parte dos Estados Unidos questionar a gestão de Hong Kong de seus assuntos de acordo com a lei".  "As acusações contra o governo central chinês não têm fundamento. China não pode aceitar", criticou Hua. / EFE. AP e REUTERS

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