Snowden pede para prorrogar asilo na Rússia, diz advogado

MOSCOU - O ex-analista da Agência Nacional de Segurança (NSA) americano Edward Snowden solicitou ao governo da Rússia que prorrogue por um ano o asilo temporário que lhe concedeu em 1º de agosto de 2013, disse nesta quarta-feira, 9,  seu advogado, Anatoli Kucherena.

Pedido foi para estender permissão por um ano; ex-agente revelou ao mundo escândalo global de espionagem envolvendo o governo americano, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2014 | 12h25

"Existe um procedimento estipulado pela lei russa. Nós cumprimos esse procedimento para conseguir asilo temporário. Termina em 31 de julho de 2014. Por isso, entregamos ao Serviço Federal de Imigração (FMS, na sigla em russo) os documentos para estender sua estadia na Rússia", disse Kucherena aos jornalistas.

O advogado não especificou que status solicitou Snowden para seu asilo na Rússia, se se trata de uma prorrogação de sua estadia temporária ou de uma permissão de residência. Disse, no entanto, que a solicitação foi apresentada em um escritório do FMS da região de Moscou.

Uma fonte do FMS indicou em 1º de julho ao jornal "Izvestia" que Snowden tinha como prazo-limite para pedir a extensão do asilo temporário 30 de junho, já que a solicitação deve ser apresentar-se pelo menos um mês antes de expirar a permissão de permanência no país. Segundo a legislação russa, o asilo temporário, que se concede por um ano, pode ser prorrogado um número ilimitado de vezes se não se modificarem as circunstâncias que motivaram sua outorga.

Snowden chegou a Moscou em 23 de junho de 2013, fugindo da Justiça dos Estados Unidos, após revelar que ele era a fonte das revelações publicadas pelo Washington Post e pelo Guardian sobre uma trama em massa e escandalosa de espionagem americanas das comunicações em nível internacional.

Sem documentos de viagem, o ex-agente da NSA chegou ao aeroporto moscovita de Sheremétievo com a intenção de ir a algum país latino-americano, mas se viu obrigado a permanecer na zona de trânsito do aeroporto, desde onde pediu asilo a 21 países.

Quatro latino-americanos se ofereceram: Equador, Bolívia, Nicarágua e Venezuela, mas diante da impossibilidade de viajar foi finalmente Rússia a que lhe concedeu asilo em 1º de agosto, após cinco semanas na área de trânsito do aeroporto.

Em paradeiro secreto desde que obteve o asilo, Snowden conseguiu trabalho, recebeu uma visita de seu pai e vários prêmios internacionais de organizações de direitos humanos por suas revelações, que ao longo deste ano não deixaram de revelar novos escândalos, como as escutas dos telefones celulares de vários dirigentes mundiais. / EFE

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