Snowden 'sondou', mas não pediu asilo, diz Itamaraty

O governo brasileiro negou, mais uma vez, que tenha recebido qualquer pedido de asilo do ex-analista da CIA Edward Snowden.

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2014 | 02h03

Ontem, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou que o pedido nunca foi formalizado, ao contrário do que afirma Snowden.

"Não é uma resposta que se dê com um sim ou não. Se chegar o pedido, será analisado, mas não chegou", disse o ministro ao ser indagado sobre o caso quando esperava a chegada do chanceler do Haiti, Duly Brutus.

Em entrevista que foi ao ar no domingo pela TV Globo, Snowden voltou a dizer que adoraria morar no Brasil e havia entregue um pedido formal de asilo à embaixada brasileira na Rússia enquanto ainda estava morando no aeroporto de Moscou. De acordo com o Itamaraty o documento era, na verdade, uma carta "genérica", enviada a mais de 50 embaixadas, assinada pela Anistia Internacional. Portanto, sem validade jurídica como pedido de asilo.

Na época, em julho do ano passado, o governo brasileiro desconsiderou o pedido, tratado como uma "sondagem", a que o Brasil preferiu não responder. Agora, nada mudou e a determinação é de não estender o assunto. Não há uma carta formal assinada por Snowden, apenas o documento da Anistia Internacional apresentado há um ano. Mais uma vez, o governo brasileiro responde que o pedido não foi feito.

A avaliação no governo é que não há porque alimentar, mais uma vez, a polêmica sobre o asilo ao ex-agente da CIA. Apesar da indignação causada pelas revelações feitas nos documentos vazados por ele, conceder o asilo a Snowden poria mais pressão na já difícil relação com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o Brasil tem a tradição diplomática de quase nunca negar pedidos de asilo político.

Na entrevista, Snowden garantiu que fizera um pedido formal e mostrou surpresa ao ouvir que o governo brasileiro nega ter recebido.

Reconheceu que talvez algum procedimento necessário não tenha sido respeitado.

Na verdade, tecnicamente, o candidato a asilo deve fazê-lo apenas quando estiver no território do país ao qual pede o benefício ou em uma de suas embaixadas. Há quase um ano na Rússia, o ex-agente está com um asilo provisório, de 12 meses, que vence no segundo semestre deste ano.

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