Mike Blake/Reuters
Mike Blake/Reuters

Só Sanders e Bloomberg chegam com dinheiro a momento decisivo de prévias 

Campanhas de Joe Biden, Pete Buttigieg, Amy Klobuchar e Elizabeth Warren estão atingindo o limite financeiro justamente quando se aproxima a Superterça, quando 14 Estados definem um terço dos delegados que escolherá o candidato democrata 

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2020 | 04h00

WASHINGTON - A maioria dos candidatos democratas chega ao momento mais decisivo da temporada de primárias sem dinheiro em caixa. De acordo com dados divulgados pelas campanhas, apenas o senador Bernie Sanders e Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, têm fôlego financeiro para encarar a Superterça, no dia 3, quando 14 Estados elegem um terço dos delegados que definirão o candidato do partido.

Sanders entrou em fevereiro com US$ 17 milhões em caixa e o bilionário Bloomberg, com US$ 55 milhões – ele vem financiando sua campanha com sua fortuna pessoal de mais de US$ 52 bilhões. Os outros candidatos – pelo menos os que têm realmente chances de obter a indicação do partido – estão em risco. 

As campanhas de Joe Biden, Pete Buttigieg, Amy Klobuchar e Elizabeth Warren lançaram na sexta-feira, 21, um novo apelo a doadores. Biden entrou em fevereiro com US$ 7,1 milhões, Buttigieg tinha US$ 6,6 milhões, Klobuchar US$ 2,9 milhões e Warren era quem estava mais perto do vermelho, com US$ 2,3 milhões. 

É pouco para quem enfrentou até aqui apenas três disputas em Estados pequenos e agora precisa de dinheiro para investir até a chamada Superterça, quando serão alocados 1.357 dos 3.979 delegados – cerca de um terço do total de votos que definirá o candidato na convenção nacional do partido, em Milwaukee, entre os dias 13 e 16 de julho. 

Segundo dados da Comissão Federal de Eleições (FEC), Bloomberg gastou US$ 460 milhões em apenas três meses de campanha, dinheiro que vem saindo de seu próprio bolso. O ex-prefeito de Nova York afirmou que sua campanha será totalmente financiada por ele mesmo, o que vem atraindo críticas dos adversários, que o acusam de comprar a eleição.

“Os democratas correm um grande risco se simplesmente substituírem um bilionário arrogante por outro”, disse Warren, na abertura do debate de quarta-feira em Las Vegas, o último antes das prévias de hoje no Estado de Nevada.

“Estamos agora enfrentando um bilionário que está jogando quantias colossais de dinheiro em anúncios de TV, em vez de fazer o trabalho de campanha”, disse Buttigieg. “Precisamos arrecadar uma quantia significativa de dinheiro antes da Superterça, no dia 3, para permanecermos competitivos.”

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Enquanto os candidatos democratas pulverizam as doações, a campanha de Donald Trump arrecadou US$ 46 milhões no último trimestre de 2019. As cifras significam um recorde para o atual ciclo eleitoral. Com o bom resultado, Trump acumulou em 2019 US$ 143 milhões, dos quais US$ 102,7 milhões ainda estavam disponíveis na virada do ano. Seu chefe de campanha, Brad Parscale, comemorou no Twitter o que ele disse, exageradamente, ser “a maior arrecadação para uma campanha à reeleição de um presidente americano”.

O recordista, porém, ainda é Barack Obama. Em sua campanha pela reeleição, apenas no segundo trimestre de 2011, ele recebeu US$ 86 milhões – quase o dobro do arrecadado agora por Trump. Alguns meses depois, em maio de 2012, uma festa na casa do ator George Clooney, em Los Angeles, rendeu à campanha de Obama US$ 15 milhões em apenas uma noite.

O dinheiro é considerado um termômetro importante da campanha eleitoral americana. O tamanho das arrecadações mostra o ânimo da base de doadores – em uma eleição em que o voto não é obrigatório –, além de indicar a capilaridade e o poder de fogo de um candidato. 

O valor arrecadado é fundamental para bancar publicidade, pesquisas, estrategistas e assessores, além de transporte e hospedagem para que o candidato se locomova em um país de dimensões continentais. Os partidos precisam abrir escritórios e comitês de campanha no maior número de Estados possível, tudo custeado por doações. / AP e REUTERS

 

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