"Só um milagre" evita guerra ao Iraque, diz brasileiro

O embaixador Gelson Fonseca Júnior, representante do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), disse nesta quinta-feira, em palestra no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), que "só um milagre" evitaria uma guerra dos EUA contra o Iraque."E a expectativa é que a ONU produza parte desse milagre, ajude esse milagre a acontecer", declarou. "Há fórmulas sendo discutidas que podem resolver a questão central que está sendo posta pelos EUA: a existência de armas de destruição em massa no Iraque, armas químicas, biológicas e eventualmente até nucleares. Se for possível articular uma maneira de verificar se essas armas existem e, se existirem, destruir essas armas, eu tenho a impressão de que a guerra pode ser evitada. É um processo difícil, complicado, mas não acredito impossível."O embaixador disse que as conseqüências de um ataque militar "podem ser de tal forma desastrosas que é melhor não fazer (a guerra)": "Os EUA querem a guerra por várias razões. Ninguém duvida de que o regime de Saddam é um dos mais sanguinários do mundo, que viola todas as regras dos direitos civis e políticos. O que os EUA fazem depois de 11 de setembro (de 2001) tem componentes paranóicos, mas não é só isso. Tem um componente de realidade."Também presente ao seminário, o almirante-de-esquadra da reserva Mario Cesar Flores, ex-ministro da Marinha, destacou o "forte messianismo" da política externa dos EUA. O cientista político Helio Jaguaribe criticou o "unilateralismo agressivo" de George W. Bush e o professor Domício Proença Jr., do Grupo de Estudos Estratégicos da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), disse que a guerra certamente levaria a oscilações no preço do petróleo.

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