Sob ameaça de impeachment, Musharraf pede 'reconciliação'

Presidente pede para que paquistaneses 'enterrem as diferenças' entre as diferentes facções politicas do país

BBC Brasil,

14 de agosto de 2008 | 08h52

Em meio a uma crise da base aliada que pode resultar em seu impeachment, o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, pediu na quarta-feira, 13, aos paquistaneses que "enterrem suas diferenças" para buscar estabilidade política e desenvolvimento econômico no país. Em um discurso transmitido pela TV por ocasião do 61.º aniversário de independência nacional, Musharraf apelou para uma "reconciliação" entre as diferentes facções políticas do país.   As declarações de Musharraf são dadas em meio à pressão crescente da própria coalizão de governo, que na semana passada concordou com o início dos procedimentos de impeachment contra ele, por corrupção e abuso de poder. Na quarta-feira, as assembléias de três províncias - Punjab, Sindh e Fronteira Noroeste - aprovaram resoluções a favor do impedimento presidencial. Em Sindh, o placar legislativo foi 93 a 0. Espera-se que outros legislativos regionais tomem decisões semelhantes.   "Faço um apelo a todos elementos que adotem uma abordagem de reconciliação, de forma que haja estabilidade política e possamos confrontar com firmeza os problemas reais que o país enfrenta", afirmou Musharraf. "Nossos adversários estão tentando desestabilizar o Paquistão em diversas frentes, tanto interna quanto externamente", prosseguiu.   Ele disse que o país enfrenta uma "fase difícil da história", mas "nunca esteve tão forte". segundo o repórter da BBC em Islamabad, Mark Dummett, o governo precisa enfrentar desafios como a elevação nos preços de alimentos e combustíveis, a desvalorização da moeda, a rúpia paquistanesa, e uma campanha de militantes ao longo da fronteira noroeste com o Afeganistão.   Musharraf já havia dito que prefere renunciar a enfrentar os procedimentos de impeachment. O presidente tem a prerrogativa de dissolver o Parlamento, mas muitos analistas crêem que ele não a utilizará. O general chegou ao poder através de um golpe em 1999, entregando o poder ao Exército no ano passado. A coalizão ocupa o governo desde fevereiro.

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