Sob ameaça de sanções, Kadafi desafia potências ocidentais em novo discurso

Vamos derrotar qualquer investida estrangeira, diz ditador em discurso a partidários em Trípoli

estadão.com.br,

25 de fevereiro de 2011 | 14h13

  Kadafi manda beijos a partidários: 'Não sou presidente, nem rei. Mas o povo me ama'

O ditador líbio, Muamar Kadafi, foi à público pela quarta vez esta semana nesta sexta-feira, 25. Em discurso para cerca de mil de seus partidários que ocupam a Praça Verde, em Trípoli, o coronel manteve a postura desafiadora ante as pressões internacionais contra a repressão brutal desencadeada sobre opositores do regime.

 

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"Estamos prontos para triunfar sobre o inimigo. Vamos derrotar qualquer investida estrangeira", disse o coronel. "Quando for necessário, daremos armas ao povo líbio e a todas as tribos da Líbia"

 

Kadafi jurou proteger os líbios e a indústria do petróleo, a maior fonte de renda do país do norte africano."Estamos prontos para triunfar sobre o inimigo. Vamos derrotar qualquer investida estrangeira", disse o coronel. A televisão estatal mostrou milhares de apoiadores do Kadafi na Praça Verde.

 

Após nos discursos anteriores acusar a Al-Qaeda de drogar a juventude líbia "colocando pílulas no leite que eles tomam" e se dizer uma figura tão simbólica no poder quanto a rainha britânica, Elizabeth II, o coronel voltou a utilizar frases de efeito desconexas.

 

"A vida sem dignidade é inútil. Vocês, jovens, dancem, cantem, fiquem acordados até tarde, tenham uma vida digna e de alegria", disse. "Se o meu povo e o povo árabe não amam Kadafi, eu não mereço viver".

 

Confrontos em Trípoli

 

Mais cedo, forças de segurança e mercenários leais ao ditador líbio, Muamar Kadafi, abriram fogo contra manifestantes pró-democracia em bairros no oeste de Trípoli, disseram testemunhas. Segundo moradores do distrito de Janzour, ao menos cinco pessoas morreram. A base aérea de Mutiqa, a maior de Trípoli, aderiu à revolta popular contra o ditador Muamar Kadafi, disse a rede de TV Al-Jazira. A emissora ainda não deu mais detalhes sobre a deserção.

 

O cerco contra o ditador tem se fechado após a oposição expandir seu controle para o oeste do país. Em ´Trípoli, os confrontos acontecem nos bairros de Fashloum, Ashour, Jumhouria, Souq e al-Jouma.

 

Das grandes cidades da costa líbia, Kadafi controla a capital e Sirte, onde nasceu. A oposição já domina Misurata, e Zuara, nos arredores de Trípoli, e disputa o controle Az-Zawyia, Sabra e Sabratha. Os dissidentes haviam convocado para esta sexta-feira, 25 uma manifestação maciça contra o déspota na capital do país para depois das orações do meio-dia.

 

Os relatos são de que a cidade de Az-Zawyia, a 50 km de Trípoli, é palco de alguns dos mais sangrentos enfrentamentos. Testemunhas disseram que forças do governo atacaram manifestantes em uma mesquita com metralhadoras e armas antiaéreas. Um médico disse ter visto dez corpos e cerca de 150 feridos.

 

Outra testemunha, no entanto, diz que as forças de Kadafi ainda estão fora da cidade. "Há controles do Exército e da polícia ao redor de Zawiya, mas nenhuma presença deles dentro da cidade. Somente vi alguns civis desarmados", disse Said Mustafa, que cruzou a cidade nesta sexta-feira, a caminho da fronteira com a Tunísia

 

 

 

 

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Com Reuters, AP, Efe e BBC Brasil

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