Sob as cinzas da crise

Fernando de la Rúa vem ao Brasil e defende seu legado na Argentina: ''Foi tudo culpa do FMI''

João Paulo Charleaux, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2010 | 00h00

Pela manhã, visita ao lixão de Caieiras. À tarde, palestra na Bolsa. A agenda curiosa é a do ex-presidente argentino Fernando de la Rúa, que desembarcou em São Paulo na terça-feira trazendo uma bagagem pesada: 30 mortes em protestos e o fim precoce de seu governo, interrompido em dezembro de 2001, depois dos distúrbios sociais mais violentos desde o fim da ditadura no país.

Quando ocupou a Casa Rosada, o PIB havia caído 3,5% em um ano, o desemprego era de 14% e a pobreza havia triplicado, em comparação com o governo anterior. De la Rúa ficou conhecido pelo "corralito", medida que impedia os argentinos de sacarem dinheiro nos bancos, considerado o fundo do poço da economia local.

Respondendo por suborno e mergulhado no ostracismo desde que abandonou seu gabinete, De la Rúa veio a São Paulo para falar da relação entre Brasil e Argentina, classificada por ele como "muito debilitada".

Longe do poder, depois de prometer nunca mais voltar à vida política, ele viaja agora acompanhado apenas de um assessor, carregando a própria pasta e prestando assessoria a empresas. A viagem foi feita à convite do Instituto Pensando o Brasil e da Ação Jovem da Bolsa, para os quais fez a ressalva tranquilizadora: "Não vim transmitir minha experiência aos investidores."

Para ele, a crise "foi culpa do Fundo Monetário Internacional (FMI)". Na época, o país cumpriu todas as orientações do fundo. O desastre foi tão grande que motivou a criação de uma Comissão Interna de Avaliação, encarregada de investigar os erros cometidos pela instituição.

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