AP/Manuel Balce Ceneta
AP/Manuel Balce Ceneta

Sob boicote de minorias, Trump recebe campeões nacionais de beisebol

Ida à Casa Branca dividiu o Red Sox; apenas 1 dos 11 membros de minoria da equipe foi ao evento

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2019 | 21h19

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu na Casa Branca nesta quinta-feira, 9, os últimos campeões da liga nacional americana de beisebol. O batedor dos Red Sox Boston J.D. Martinez entregou uma camisa da equipe ao presidente, mas as maiores atenções ficaram por conta das ausências da cerimônia. 

Uma icônica cena de celebração: Christian Vázquez, apanhador dos Red Sox, pula nos braços do arremessador do time  Christian  Vázquez  após a final da última temporada da World Serie. Os companheiros de time estavam em perfeita união. 

Mas nesta quinta, as estrelas estiveram separadas. Sale esteve na Casa Branca, onde os campeões foram honrados por Trump. Vásquez ficou em sua casa, em Boston. Ele foi um dos dez jogadores, todos latinos ou afro-americanos, que escolheram não ir à homenagem. Vázquez, que é de Bayamón, Porto Rico, disse em entrevista que a questão era pessoal.

O único membro de uma minoria dentre as dezenas de atletas presentes na cerimônia da Casa Branca foi justamente J.D. Martinez, que tem origem cubana.  

Sam Kennedy, presidente do Red Sox, disse que a equipe decidiu após a vitória da World Series em 2004 que adotaria uma posição “apolítica” e aceitaria convites da Casa Branca em respeito à instituição. A maioria dos jogadores compareceu em 2005 e 2008 para encontrar George W. Bush e em 2014 para reunião com Barack Obama. 

Apesar da controvérsia deste ano, os jogadores disseram que respeitam as decisões de cada um, e chamaram o assunto de questão privada. David Ortiz, ex-astro da equipe, disse esta semana que apoia aqueles que faltaram ao evento e condenou a retórica de Trump sobre imigrantes. 

“Eu sou um imigrante. Quando isso vem para o lado político, eu não sei muito de coisas assim, mas quando isso vem para o jeito que os imigrantes vêm sendo tratado, é algo que vai em um longo caminho”, disse Ortiz, que nasceu na República Dominicana, à rádio WEEI. “Você não quer ir e apertar as mãos de um cara que está tratando imigrantes como m...  pela razão de eu ser um imigrante.” 

David Price, batedor de uma equipe do Tenesse, que é negro, causou um alvoroço na última semana quando retuitou para seus 1,8 milhão de seguidores a observação de um jornalista esportivo de Boston de que a divisão racial do time significava que apenas os “white Sox” estavam visitando a Casa Branca. Price depois justificou que achou o tuíte insensível. 

Outros casos 

Equipes inteiras, como o time de basquete masculino da Universiy of Virginia neste mês, rejeitaram convites da atual administração, enquanto a Casa Branca não estendeu ofertas para algumas equipes femininas, incluindo duas campeãs da WNBA, que usualmente estavam na lista. 

Trump raivosamente rescindiu convites para o Golden State Warriors em 2017 e o Philadelpia Eagles no último ano, depois que atletas negros anunciaram publicamente que não iriam à Casa Branca.  

Mais de 70 atletas apareceram até agora, mas 42 dos 57 afro-americanos das equipes não foram às cerimônias, de acordo com um relatório no The Root, que citou três jogadores, falando anonimamente, que mencionaram as “políticas divisivas” e o “racismo” de Trump. 

Em raras ocasiões, atletas boicotaram as visitas à Casa Branca em mandatos de presidentes anteriores por razões políticas. Mas Trump engajou diretamente e avidamente os dissidentes, agravando as disputas e avivando tensões raciais e sociais. /W. Post 

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