Sob comando russo, vida na Crimeia torna-se caótica

Depois da rápida anexação da Crimeia à Rússia, os burocratas russos que tratam dos passaportes e das autorizações de permanência instalaram-se no edifício dos seus predecessores ucranianos. Diariamente, são admitidas 200 pessoas das que aguardam diante da enorme porta de ferro enferrujada.

Neil MacFarqunar, The New York Times/O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2014 | 02h07

Um mês depois da mudança, os habitantes da Crimeia vivem em confusão permanente. Descobriram que declarar a anexação foi muito mais fácil do que empreendê-la. Poucas entidades funcionam normalmente. A maioria dos bancos está fechada, assim como os cartórios. Ações judiciais foram suspensas. Importações de alimentos são confusas. Companhias estrangeiras fecharam as portas.

Outras mudanças são mais sinistras. "As unidades de autodefesa", sem atribuição oficial, abordam cidadãos nas estações ferroviárias e em outros pontos de entrada na região para inspeções repentinas. Consumidores de drogas, ativistas políticos, gays e até sacerdotes ucranianos são alguns dos grupos que mais obviamente temem a vida sob um governo muito menos tolerante.

Mudar de país provocou o caos em praticamente todos os aspectos. As conexões de voos foram cortadas, salvo as que servem a Rússia. O horário na Crimeia foi adiantado uma hora para se igualar ao de Moscou, mas os celulares voltam automaticamente a funcionar no horário ucraniano.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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