Sob crítica de Montevidéu, Brasil mantém silêncio

Itamaraty opta pela discrição diante de acusações de que Dilma interveio em benefício da Venezuela no Mercosul

LISANDRA PARAGUASSU, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h06

As reações do Uruguai contra a admissão da Venezuela no Mercosul - à revelia do Paraguai, suspenso do grupo - surpreenderam o governo brasileiro. O Itamaraty preferiu não se manifestar sobre as acusações feitas pelo chanceler de Montevidéu, Luis Almagro, e pelo vice-presidente Danilo Astori, de que o Brasil havia pressionado pela inclusão de Caracas.

Durante a reunião em Mendoza, há uma semana, os presidentes José Mujica (Uruguai), Cristina Kirchner (Argentina) e Dilma Rousseff (Brasil) reuniram-se para tratar do assunto depois de um encontro entre chanceleres. Os ministros haviam levantado os possíveis cenários jurídicos para a entrada da Venezuela sem a presença do Paraguai, mas, segundo o Itamaraty, nenhuma objeção foi levantada por Almagro.

As avaliações técnicas foram então levadas aos presidentes, que endossaram a entrada da Venezuela. Também nesse momento Mujica não teria feito objeções e a entrada oficial de Caracas no Mercosul ficou marcada para uma cerimônia no dia 31, no Rio de Janeiro.

Apesar de Almagro ter afirmado que o Uruguai não quis usar seu poder de veto para barrar o acordo, diplomatas brasileiros explicam que isso não seria necessário. Os uruguaios poderiam apenas ter pedido mais tempo para analisar a situação e uma nova reunião seria marcada para tratar apenas de Venezuela.

Em entrevista na segunda-feira a uma rádio do país, Almagro afirmou que o Uruguai não concorda com a maneira como a decisão foi tomada e revelou que houve uma "intervenção decisiva" de Dilma, apoiada por Cristina. Ontem, o vice-presidente Astori declarou que não aceitava a entrada da Venezuela, uma "agressão institucional" às normas do Mercosul.

OEA. A missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) a Assunção concluiu ontem seus trabalhos. A equipe, chefiada pelo secretário-geral José Miguel Insulza, deverá emitir um parecer, o qual deverá servir de base para os países do bloco hemisférico decidirem se apoiam ou não a suspensão do Paraguai.

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