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Sergey Kompaniychenko/Arquivo/Reuters
Sergey Kompaniychenko/Arquivo/Reuters

Sob denúncias de fraudes e revolta da oposição, Putin vence no 1º turno

Ex-dirigente da KGB e atual premiê voltará ao Kremlin em maio para seu 3º mandato como presidente

Talita Eredia / ENVIADA ESPECIAL / MOSCOU, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2012 | 22h22

MOSCOU - Apesar das milhares de denúncias de fraude na eleição presidencial russa, Vladimir Putin declarou-se vitorioso ontem ressaltando a disputa "aberta e honesta". Ele volta para o seu terceiro mandato e será o primeiro presidente com um período de 6 anos. Com 50% das urnas apuradas, Putin tinha 64,4% dos votos, mais do que o triplo do segundo colocado, o comunista Gennadi Zyuganov (17,1%), que qualificou a eleição de "ilegítima".

 

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"Provamos que nosso povo é capaz de distinguir o desejo pelo novo das provocações políticas que tinham um único objetivo: desintegrar o Estado russo e usurpar o poder. Ganhamos hoje porque prevaleceu o maciço apoio do nosso eleitorado. Não prometi para vocês que ganharíamos? Ganhamos. Glória à Rússia", disse o presidente eleito em discurso emocionado diante do Kremlin.

O choro de Putin rendeu comentários citando o filme soviético da década de 80 Moscou não Acredita em Lágrimas, de Vladimir Menshov.

Segundo colocado, Zyuganov negou-se a reconhecer o resultado. Os demais candidatos não alcançaram nem 10% dos votos. O independente Mikhail Prokhorov era o terceiro colocado com 6,9%, seguido pelo nacionalista Vladimir Jirinovski (6,7%) e pelo social-democrata Sergei Mironov (3,7%). Prokhorov prometeu ontem fundar um novo partido e disputar a eleição presidencial de 2018. Putin já afirmou que pretende concorrer a um novo mandato, que seria o quarto de sua história política.

Os eleitores que foram às urnas, governistas ou opositores, tinham a certeza da vitória de Putin no primeiro turno. Em todo o país, 58,3% dos eleitores votaram, comparecimento inferior aos 64% registrados na votação de 2008, que elegeu Dmitri Medvedev. Em Moscou, metade da população votou (49,3%). A região com maior comparecimento foi a Chechênia, com 94,8%.

Fraude generalizada. Não foram apenas relatos dos milhares de monitores voluntários que acompanharam os centros de votação que testemunharam inúmeros casos de fraude. As imagens de eleitores depositando dezenas de votos em urnas enquanto os fiscais faziam vista grossa foram acompanhadas e gravadas pelos internautas que monitoravam a transmissão das câmeras instaladas nos mais de 90 mil centros de votação do país.

Alguns internautas reclamaram que a maior parte dessas câmeras tiveram a transmissão cortada logo após o fim da votação, antes de os votos serem retirados das urnas.

A organização de monitoramento eleitoral independente Golos confirmou ter recebido quase 3 mil denúncias. Grande parte delas são relatos dos chamados "carrosséis de votos", ônibus cheios de eleitores que são levados para votar várias vezes.

O blogueiro e ativista opositor Alexei Navalni disse ontem que os "carrosséis" eram esperados, mas não na quantidade em que foram relatados. Navalni disse que seu projeto de treinamento de monitores voluntários, o Rosvybory, tinha informações sobre mais de 6 mil violações até o início da tarde de ontem.

Na semana passada, a Golos admitiu que é impossível acompanhar as fraudes em todo o país, já que não consegue acesso às regiões mais distantes do país, como o leste e o Cáucaso.

A Comissão Eleitoral disse ter recebido apenas 100 casos de irregularidades. O chefe da campanha de Putin, Stanislav Govorukhin, porém, afirmou que as eleições foram "as mais limpas da história da Rússia."

Putin toma posse na presidência em maio, e indicará o seu antecessor, Dmitri Medvedev, para o cargo de primeiro-ministro.

 

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