Sob desconfiança do próprio partido, Romney desafia Obama em discurso

Ainda sem uma clara identidade política em seu próprio partido, o empresário mórmon e ex-governador Mitt Romney aceitaria no fim da noite de ontem, oficialmente, a candidatura republicana à Casa Branca. Apresentado pelo ator, diretor de cinema e republicano convicto Clint Eastwood, Romney tentaria expor ao eleitor americano, no horário nobre da TV, uma face mais "humana".

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL / TAMPA, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h10

Ao mesmo tempo, desafiaria o presidente dos EUA, Barack Obama, com o seu perfil múltiplo de pai de família, líder religioso, político e empresário de sucesso.

Apesar do clima festivo, a preocupação maior da cúpula do partido é evitar a associação de Romney a uma caricatura. Segundo seu principal conselheiro da campanha, Russ Schriefer, cada tópico da cerimônia de ontem foi calculado para mostrar ao eleitor que a experiência de Romney em diferentes esferas fez dele "o único" americano qualificado para enfrentar os atuais desafios do país.

O discurso de ontem foi escrito pelo comitê de campanha, com passagens incluídas pelo próprio Romney. Além de cativar a atenção do eleitorado republicano e de ser capaz de atrair o voto dos independentes, ele teria de aparentar ser o líder de sua própria chapa, compartilhada com o candidato a vice-presidente, Raul Ryan. Em discurso na noite anterior, o deputado federal Ryan arrancou manifestações de entusiasmo do público ao prometer criar 12 milhões de postos de trabalho, pregar o equilíbrio nas contas públicas e zombar de Obama.

Parte da emoção e da carga dramática já estaria estimulada no público, segundo Schriefer, pelos vídeos sobre a vida de Romney expostos nos dois dias anteriores da convenção, pelos depoimentos apresentados no palco e, especialmente, pelo discurso da nova favorita das donas de casa republicanas, Ann Romney. Mulher do candidato há 43 anos, Ann foi aplaudida com entusiasmo ao afirmar que seu marido ainda a apaixonava e a fazia gargalhar como nos tempos de namoro.

"Mitt não gosta de falar sobre como ele ajuda as pessoas, porque ele vê isso como um privilégio, não como um tema de interesse político", completou ela, ao valer-se politicamente da confissão.

Religiosos mórmons seriam trazidos ao palco, pela primeira vez em uma convenção republicana, para rememorar os desafios do ex-bispo Romney. A intenção seria corrigir o perfil exaustivamente apresentado por sua campanha, o de empresário de sucesso, que deu margem para os ataques de Obama às declarações de imposto de renda e às contas bancárias de seu rival.

O discurso de Romney seria precedido por dois apoios essenciais a sua candidatura. O ex-governador Jeb Bush, filho e irmão de ex-presidentes ausentes na convenção, é atualmente apontado como um provável candidato republicano em 2016 - independentemente de quem esteja na Casa Branca, Obama ou Romney.

O senador Marco Rubio não foi escolhido como companheiro de chapa do candidato republicano, mas é tido como principal aliado para conquistar o eleitor de origem latina da Flórida.

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