Sob estado de exceção, Paquistão detém 500 opositores

Oposição denuncia medida como um 'golpe dentro do golpe' desferido pelo presidente Pervez Musharraf

Efe,

04 de novembro de 2007 | 18h44

Cerca de 500 ativistas da oposição do Paquistão foram detidos pelo regime do generalPervez Musharraf no primeiro dia após a declaração, na noite de sábado, do Estado de exceção no país, uma medida que vigorará "o tempo necessário", segundo o primeiro-ministro, Shaukat Aziz.   Veja também: Bhutto retorna em meio a estado de emergência Presidente paquistanês suspende Constituição EUA dizem que emergência é frustrante Musharraf nomeia presidente da Suprema Corte Crise política no Paquistão atinge sua pior fase Após golpe, Musharraf suspende Constituição   As forças de segurança realizaram uma onda de detenções em massa de líderes da oposição, ativistas e outras figuras políticas nasprincipais cidades do país, em virtude das medidas extraordinárias decretadas por Musharraf.   "Houve entre 400 e 500 detenções preventivas no país", confirmou Aziz em entrevista coletiva, na qual afirmou que o Executivo está comprometido com "uma forma de Governo parlamentar".   Entre os detidos estão o presidente interino da Liga Muçulmana do Paquistão, Javed Hashmi; o presidente da Associação de Magistradosdo Supremo, e a ativista pró-direitos humanos Asma Jahangir, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, segundo o site da emissora Geo TV.   Também está preso em regime domiciliar o ex-jogador de críquete Imran Khan, que atualmente dirige o partido de oposição Tehreek-e-Insaf, apesar de fontes próximas à legenda indicarem que ele conseguiu burlar a vigilância policial e deixar sua casa.      Na lista de detidos está ainda o ex-chefe dos serviços secretos paquistaneses (ISI) durante o primeiro governo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto (1988-1990), Hamid Gül, conhecido pelas polêmicas declarações extremistas e suas duras críticas à política dos Estados Unidos.   Segundo a Geo TV, Gül foi detido durante um ato público no qual denunciou que o atual Estado não é o de exceção - como afirma o presidente paquistanês, Pervez Musharraf - mas de "lei marcial", antes de ser levado à força em uma viatura policial.      O primeiro-ministro disse que o Estado de exceção foi imposto devido aos "muitos desafios" que o Paquistão deve enfrentar.      Também disse que, diante da ordem atual, o Parlamento pode adiar as eleições gerais "em até um ano", mas afirmou que o Governo ainda não tomou uma decisão.      "Ainda estamos deliberando. No Estado de exceção, o Parlamento pode dar a si mesmo até um ano", disse Aziz, em referência a umacláusula legal que permite ampliar a legislatura por até 12 meses em situações excepcionais.      A atual legislatura teoricamente termina em 15 de novembro e, a princípio, as eleições gerais deveriam ser realizadas no começo do próximo ano.    Desde a declaração do Estado de exceção, a transmissão dos canais privados de televisão do Paquistão está interrompida, o que tornou os sites das emissoras e os jornais nas únicas fontes independentes de informação no país.      Além disso, foi estabelecido um código de conduta que proíbe a publicação de informações que "difamem, ridicularizem ou atinjam areputação" do chefe do Estado, dos membros das Forças Armadas ou das instituições. Apesar das medidas, as principais cidades do Paquistãoapresentavam hoje um aspecto de relativa normalidade, com o comércio aberto e os transportes funcionando.      Em Islamabad, no entanto, era possível ver uma forte presença policial em vários pontos-chave da cidade, como as imediações do Parlamento e da sede do Tribunal Supremo, cujo acesso foi bloqueado na noite de sábado.      A declaração do Estado de exceção foi duramente criticada pela imprensa, que a qualificou de "violenta" e de um "segundo golpe" de Musharraf - após o de 1999, que o levou ao poder -, assim como pelos diferentes partidos da oposição.      A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, que no sábado voltou às pressas de Dubai para Karachi, após saber do Estado de exceção, também criticou a decisão de Musharraf e a considerou na prática uma "mini lei marcial".      Musharraf declarou o Estado de exceção alegando o aumento da violência extremista e a interferência do Poder Judiciário na política do governo, mas a oposição acredita que ele tenha tomado a decisão para evitar um veredicto do Supremo que poderia invalidar sua recente reeleição como presidente.

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