Khaled al-Hariri/Reuters
Khaled al-Hariri/Reuters

Sob observação, Síria acusa 'rebeldes' por violações sistemáticas da trégua

'Estado' conversou com capitão brasileiro que é um dos membros da equipe de observadores

Lourival Sant'Anna / Enviado Especial / Damasco,

17 de abril de 2012 | 20h45

DAMASCO - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que proporá nesta quarta-feira, 18, ao Conselho de Segurança o fornecimento de aviões e helicópteros, já pedidos à União Europeia, para os observadores na Síria. Ban avaliou também que os 250 militares previstos inicialmente para monitorar o cessar-fogo podem não ser suficientes "considerando a situação atual e a vastidão do país". O governo sírio denuncia violações sistemáticas da trégua pelos rebeldes.

A resolução aprovada no sábado, 14, autorizou um primeiro contingente de 30 militares do Departamento de Operações de Manutenção da Paz da ONU. Sua ampliação deve ser aprovada ainda esta semana. A equipe avançada de cinco observadores, que chegou a Damasco no domingo, deve enviar nesta quarta-feira, 18, o seu primeiro relatório ao CS. Eles estiveram nesta terça-feira, 17, em Deraa, a 100 km de Damasco, onde a revolta começou, em março de 2011.

O capitão de mar e guerra brasileiro Alexandre Feitosa, um dos cinco membros da equipe, disse ao Estado que os observadores não presenciaram confrontos, mas que o governador de Deraa, Mohamed Khaled al-Hanous, fez um relato de incidentes envolvendo tiros e atentados a bomba, por parte dos rebeldes. Militares da província ofereceram à missão a possibilidade de montar uma base de operações lá. "Fomos muito bem recebidos", disse Feitosa, responsável pelo planejamento da segurança da missão. "As reuniões estão nos propiciando a visão de que vamos conseguir empreender nossas tarefas. Estamos contentes."

A agência oficial Sana noticiou que "um grupo terrorista armado" invadiu a casa de Rami Sirani, um militar do Exército na região de Ghabaghib, em Deraa, e abriu fogo, matando seu cunhado. Os observadores pediram acesso a Douma, 26 km a nordeste de Damasco, Homs e Hama, no centro-oeste do país.

"Vamos passo a passo", disse Feitosa. "Se amanhã não pudermos ir a Homs, iremos um outro dia."A cidade é um dos principais cenários dos confrontos, mesmo depois do cessar-fogo, que entrou em vigor na quinta-feira, 12.

Além de Feitosa, que pertence ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha brasileira, fazem parte do grupo um argentino, um marroquino, um finlandês e um belga, todos com patentes equivalentes a coronel ou tenente-coronel. Outros 25 já começaram a chegar: um major suíço na segunda-feira, 16, e um russo e um norueguês nesta terça-feira, 17.

De acordo com o Observatório de Direitos Humanos, com base em Londres, disparos de tanques em Busra al-Harir, reduto do Exército Sírio Livre a 70 km de Damasco, mataram duas pessoas. O ativista Adel al-Omari disse que a cidade e a zona rural de Lajat estão sob intenso bombardeio desde o meio-dia de segunda-feira, 16. Muitos moradores fugiram para a Jordânia.

Um vídeo amador divulgado nesta terça-feira mostra granadas de morteiros caindo em Homs em intervalos de apenas alguns segundos e fumaça cobrindo várias áreas da cidade. Tanques e canhões também foram disparados contra os bairros de Khaldiya e Bayada, numa aparente tentativa de tomar o controle das áreas ocupadas pelos rebeldes, segundo a Associated Press.

Outro vídeo mostra o corpo de um ativista numa rua coberta de escombros, no bairro de Bab Drei. Um narrador afirma que o corpo não pôde ser recolhido durante dias por causa da ação de franco-atiradores.

 

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