Sob pressão de Uribe, reunião é transmitida

Presidentes como Lula, Chávez e Correa eram contra a abertura dos debates à imprensa

Ariel Palacios e Denise Chrispim Marin, BARILOCHE, ARGENTINA, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

A transmissão ao vivo dos debates entre os presidentes da Unasul para a imprensa que acompanhava o encontro quase colocou a cúpula à pique mesmo antes de começar. Diversos líderes da região - principalmente o presidente venezuelano, Hugo Chávez - rejeitaram categoricamente a abertura das discussões para a mídia. No entanto, o colombiano Alvaro Uribe insistiu na transmissão. Em minoria, Uribe, antes do início da cúpula, saiu do salão da reunião furioso e apareceu, inesperadamente, diante de um grupo de jornalistas para os quais reclamou: "Isto deve ser transmitido para todo o mundo, sem restrições."Diante do escândalo que surgiria - e do risco de Uribe abandonar a cúpula - os outros presidentes cederam, bastante contrariados. "Não tenho problema com isso", declarou o equatoriano Rafael Correa, presidente temporário da Unasul. "Não tenho objeções", acrescentou a argentina Cristina Kirchner, anfitriã do tenso encontro. FARPASQuando a reunião já estava no meio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou seu desagrado com a transmissão dos debates. "Vêm à tona as profundas diferenças que temos", explicou o brasileiro, sobre a troca de acusações entre os presidentes, que podia ser acompanhadas pelo público. Os presidentes Chávez, Correa e o boliviano Evo Morales dispararam farpas contra Uribe, que respondeu. A tensão aumentou quando o peruano Alan García começou a criticar Chávez."Não podemos discutir as questões de fundo porque (o encontro) está sendo transmitido. E não estamos falando muitas coisas entre nós. Não disse nada antes porque não queria aparecer como antidemocrático perante a imprensa", ressaltou Lula. "Não acredito em reuniões transmitidas pela TV. O que interessa ao público é o resultado final e não o que cada um está falando para justificar sua posição. Fico preocupado com o que vai a sair na imprensa sobre esta reunião da Unasul." Em seguida, o brasileiro se irritou ainda mais. "O Tabaré (Vázquez, presidente do Uruguai) foi embora. Alan García também. Vamos ficar só dois ou três para discutir tudo isso." A transmissão permitiu que vários protagonistas da cúpula pudessem expressar suas ironias com os colegas. Depois que Chávez alertou para as supostas intenções dos EUA, que teriam como objetivo invadir países da região - mais especificamente, a Venezuela - para tomar posse das estratégicas reservas de petróleo, o peruano Alan Garcia disparou: "presidente Chávez, o senhor diz que os EUA irão atrás do petróleo? Para quê? Por que faltaria petróleo para os americanos se o senhor vende tudo para eles?", disse Garcia, em referência aos 1,5 milhão de barris que a Venezuela exporta diariamente para os EUA.

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